Procurador ordena buscas no HSBC

By | 19/02/2015

Genebra. Um procurador suíço disse ontem que ordenou buscas em escritórios do HSBC na Suíça e que estava abrindo um inquérito sobre acusações de lavagem de dinheiro agravada.

"Uma busca está em curso atualmente nas instalações do banco, lideradas pelo procurador-geral Olivier Jornot e pelo procurador Yves Bertossa", informou a procuradoria de Genebra em comunicado.

O procurador afirmou que o escopo da investigação afetaria indivíduos suspeitos de cometer ou participar de lavagem de dinheiro. Um porta-voz do HSBC em Genebra se recusou a comentar. No domingo (15), o maior banco da Europa pediu desculpas a clientes e investidores pelas práticas registradas em seu private bank da Suíça, na sequência de acusações de que teria ajudado centenas de clientes a se evadirem de impostos.

Em anúncios de página inteira em jornais britânicos, o HSBC disse que a recente cobertura da mídia que focou na operação suíça e em assuntos financeiros de alguns de seus clientes tinham sido uma experiência dolorosa e que as normas em vigor hoje "não estavam universalmente estabelecidas" no passado. "Por isso, oferecemos nossas mais sinceras desculpas", disse a propaganda. O anúncio é dirigido a clientes, acionistas e colaboradores e é assinado pelo presidente-executivo, Stuart Gulliver.

O banco admitiu falhas no cumprimento e controle em seu banco privado suíço, após as alegações da mídia de que a instituição pode ter habilitado clientes a esconderem milhões de dólares em ativos, embora Gulliver tenha dito que muitas pessoas mencionadas como clientes tinham já deixado o banco há muito tempo e que alguns nunca foram clientes.

Dados por vir

O ex-funcionário do HSBC em Genebra, Hervé Falciani, é o homem por trás do maior vazamento de dados na história dos bancos. As informações obtidas por ele em 2007 mostravam que a filial suíça do segundo maior banco do mundo "ajudou" clientes ricos a driblar o pagamento de milhões de dólares em impostos. Oito anos depois, ele disse, em entrevista à BBC, que se sente "vingado" e "aliviado", já que os dados revelados por ele finalmente vieram à tona e o escândalo vem sendo investigado em várias partes do mundo.

Segundo Falciani, estamos longe do fim da história, já que ainda há muitas informações sobre o esquema do HSBC.

Aliás, para ser bem preciso, há um milhão de bits em dados, afirma o ex-funcionário. Ele diz que o trabalho de análise desses dados deve começar em breve e que uma grande empresa de petróleo pode ser a próxima a sentir os efeitos de um vazamento em massa de informações.

Estrelas e traficantes

O esquema revelado por Falciani permitiu que, entre 2005 e 2007, centenas de bilhões de euros transitassem, em Genebra, por contas secretas de 106 mil clientes, entre eles, empresários, políticos, estrelas do showbizz e esportistas, mas também traficantes de drogas e armas e suspeitos de ligações com atividades terroristas.

Para Falciani, o banco tem de ser punido de qualquer jeito. "A punição tem que ocorrer, não importa o quão grande eles são", diz ele, acrescentando que talvez haja centenas de outros bancos envolvidos em esquemas para ajudar os ricos e fugir do pagamento de impostos

Entenda o caso

O braço suíço do HSBC ajudou clientes milionários e criminosos condenados em escândalos de corrupção e por tráfico de drogas a sonegarem impostos e a esconderem milhões de dólares em investimentos, distribuindo produtos bancários não identificados e orientando sobre como escapar do Fisco, segundo um dossiê formado por informações bancárias vazadas.

Os dados – obtidos por meio da colaboração internacional de organizações de notícias, que inclui o jornal britânico "The Guardian" – revelaram que o private bank (área de gestão de fortunas) do HSBC na Suíça rotineiramente permitia aos clientes retirarem maços de dinheiro em espécie, frequentemente em moedas estrangeiras sem uso na Suíça e comercializava serviços para que clientes milionários evitassem impostos.

Além disso o banco agia para ajudar alguns clientes a dissimularem contas não declaradas (caixa 2) e fornecia contas bancárias a criminosos internacionais, homens de negócios corruptos e indivíduos considerados de alto risco, segundo o Guardian.

No Brasil, a Receita Federal vai apurar operações realizadas por brasileiros em contas secretas mantidas pelo HSBC na Suíça. Em nota, o fisco informou que teve acesso a parte da lista vazada no Swissleaks e divulgada por meio de associação internacional de jornalistas. Segundo o blog do jornalista Fernando Rodrigues, do Brasil são 6.606 contas bancárias.

Internacional