Presidentes franceses foram espionados pela NSA

By | 24/06/2015
François Hollande (Foto: EFE)

Os Estados Unidos espionaram, pelo menos desde 2006 até maio de 2012 os três presidentes franceses neste período, Jacques Chirac, Nicolas Sarkozy e François Hollande, segundo os documentos do Wikileaks divulgados nesta terça-feira (23/06) pelo jornal "Libération" e pelo site "Médiapart".

A Agência Nacional de Segurança americana (NSA) espionou esses três chefes de Estado franceses e seus colaboradores próximos, como diplomatas e chefes de gabinete, e reuniu os documentos obtidos nessas escutas sob a epígrafe "Espionnage Élysée".

O diretor do "Libération", Laurent Joffrin, destacou em entrevista à televisão "BFMTV" que os documentos mostram ter sido "uma operação de grande envergadura".

Jofrin disse que tinham os textos das escutas com datas e números de telefone grampeados.

Os documentos do Wikileaks sobre este assunto incluem cinco relatórios de análises da NSA destinados aos agentes dos serviços secretos americanos, e dois deles também aos países com os quais Washington tem uma aliança particular nesse terreno (Austrália, Canadá, Nova Zelândia e Reino Unido).

Embora as notas tenham sido catalogadas como altamente confidenciais, na realidade não há segredos de Estado, reconheceu o "Libération", mas demonstram o interesse da NSA pela França, como evidenciou a base de dados, que inclui números de telefones fixos e celulares – inclusive o pessoal do presidente – selecionados para a recuperação em massa de informações.

As últimas análises disponíveis da agência, datadas de 22 de maio de 2012, dão conta, por exemplo, de "reuniões secretas" no final de 2011 sobre uma possível saída da Grécia da zona do euro.

E mostram a preocupação do então primeiro-ministro, Jean-Marc Ayrault, com a possível irritação da chanceler alemã, Angela Merkel, se soubesse de uma reunião de Hollande, recentemente eleito presidente, com a oposição social-democrata alemã.

Outro das análises, durante o mandato de Nicolas Sarkozy (2007-2012), apontou como o chefe do Estado conservador se considerava "o único homem capaz de resolver a crise financeira" em 2008 ou como se queixava em 2010 de os Estados Unidos terem voltado atrás na proposta de um "acordo de cooperação bilateral" no setor de serviços secretos.

O "Libération" destacou que a seleção de documentos publicados não é nada além do que uma parte da atividade de espionagem da NSA com dirigentes franceses, mas confirmam até que ponto Washington buscava conhecer detalhadamente as comunicações de países aliados.

Na primeira reação às revelações sobre estas escutas, fontes próximas a Hollande citadas pelo jornal indicaram que quando o chefe do Estado quando esteve em Washington em fevereiro de 2014 ouviu o compromisso de Barack Obama de que as escutas indiscriminadas aos países aliados acabariam.

O Palácio do Eliseu anunciou agora há pouco que nesta quarta-feira às 9h (4h em Brasília), Hollande vai reunir o conselho de defesa, formado pelos principais ministros e responsáveis militares para fazer uma avaliação das informações divulgadas pelo "Libération" e pelo "Médiapart", e tirar as conclusões oportunas.

Revista Época Negócios