Presidente turco adota tom conciliador e pede rápida formação do governo

By | 11/06/2015

O presidente da Turquia, Tayyip Erdogan, instou nesta quinta-feira os partidos políticos do país a trabalhar rapidamente para formar um novo governo, dizendo que os egos devem ser deixadas de lado e a história irá julgar qualquer um que ficasse pelo caminho.

Em sua primeira aparição pública desde que a eleição parlamentar de domingo privou o partido governista AKP da maioria no Parlamento, Erdogan disse que seu papel como o primeiro presidente eleito da Turquia é crucial e vai desempenhá-lo com os poderes que lhe foram dados pela Constituição.

Os opositores acusam Erdogan de exceder sua autoridade, intrometendo-se no governo e fazendo campanha pelo AKP, que ele deixou formalmente no ano passado, quando assumiu a presidência com o objetivo de conseguir poderes mais amplos para o cargo.

"Todos devem pôr de lado seus egos e formar um governo o mais rapidamente possível", disse Erdogan em um discurso para estudantes na câmara do comércio de Ancara.

"Esta é a nossa maior responsabilidade para com as nossas 78 milhões de pessoas. Nenhum político tem o direito de dizer ‘eu’. Temos de dizer ‘nós’", disse ele.

A moeda turca, a lira, que desde o início do ano vem sendo abalada duramente pela incerteza política, se estabilizou com o tom de Erdogan, que os mercados consideraram mais conciliador, após semanas de inflamada retórica durante a campanha eleitoral.

Qualquer instabilidade será observada com preocupação pelos países  aliados da Otan, que valorizam a Turquia como um amortecedor contra um Oriente Médio cada vez mais instável.

Militantes do Estado Islâmico estão nas suas fronteiras e há o receio de que a violência no sudeste do país, de maioria curda, poderia reacender se as negociações de paz forem prejudicadas por divergências na formação de uma coalizão de governo.

A votação de domingo pôs fim a mais de uma década de governo de um único partido no país, candidato à UE, e representa um revés para as ambições de Erdogan de desempenhar um forte papel executivo. Alguns críticos viram o resultado eleitoral como uma reviravolta na trajetória do presidente da Turquia.

Erdogan fundou o partido AK em 2001 e tem dominado a política do país desde essa época. Ele esperava que seu partido conquistasse uma maioria forte o suficiente para mudar a Constituição e introduzir um sistema presidencial no estilo norte-americano.

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