Presidente do COI critica circuito da canoagem slalom olímpica

By | 25/02/2015

O presidente do Rio-2016 (Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos), Carlos Arthur Nuzman, declarou nesta quarta (25) que não ficou satisfeito em construir o parque da canoagem slalom.

A declaração do dirigente brasileiro foi dada diante do presidente do COI (Comitê Olímpico Internacional), Thomas Bach, e de uma platéia de cerca de 100 universitários do Rio.

"Quando vencemos [a disputa para receber os Jogos no Rio], recebemos uma lista de esportes. Depois disso, não poderíamos ser contra. Não estava satisfeito em ter o parque da canoagem, mas tivemos que fazer diante dos compromissos assumidos", disse Nuzman.

O circuito de canoagem slalom consumirá 26 milhões de litros de água, que poderiam encher sete piscinas olímpicas.

A lista de materiais especiais para a obra consumirá cerca de R$ 20 milhões. A Prefeitura do Rio não divulga o preço total do equipamento.

O circuito de canoagem slalom tem 280 m nos quais são instaladas 75 barreiras em diferentes posições para simular pedras das corredeiras naturais. O atleta tem que descer o trajeto respeitando um trajeto demarcado por traves.

"Não devemos fazer a comparação pelo volume de água. Deodoro é uma região que foi colocada no centro dos Jogos para pode ser desenvolver. É uma região com muitos jovens. Eu não gostaria de ter feito, mas agora a gente tem que aproveitar da melhor maneira possível", disse Nuzman.

Na terça-feira, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, criticou também construção do circuito da canoagem. Paes disse que vai transformar o parque da canoagem num "esquibunda" após os Jogos para tentar dar um legado a instalação esportiva.

Na ocasião, ele lamentou construir o campo de golfe olímpico. "Eu odeio ter que fazer este campo de golfe. Por mim, não teria feito nunca", disse o prefeito.

O presidente do COI, Thomas Bach, disse que o circuito de canoagem poderá se transformar numa atração turística após os Jogos.

"Em relação à canoagem, posso lhe dar a resposta da experiência em outras cidades olímpicas anteriores. A canoagem na maioria das cidades olímpicas foi muito bem sucedida. Não são apenas usadas para treinamento dos atletas. Elas estavam usando como atrações turísticas, corredeiras enfim. Tiveram muitos modelos de sucesso para um uso posterior significativo. Eu espero realmente que comecem a desenvolver esse tipo de plano e como isso pode ser usado no futuro", disse Bach.

Campo de Golfe

Bach também disse nesta quarta-feira (25) ter ficado surpreso com a declaração do prefeito do Rio, Eduardo Paes, sobre a construção do campo de golfe olímpico. O presidente do COI declarou que Paes pressionou o Comitê pela aprovação do campo.

"Fico um pouco surpreso com isso, porque o prefeito estava realmente pressionando para a construção desse campo. Tenho certeza que ele pensou muito sobre isso antes de construí-lo", disse o presidente do COI.

Na terça (24), Paes disse que "não faria nunca" o campo de golfe olímpico. Ele chegou a declarar que "odeia" construir o campo.

"Eu odeio ter de ter feito este campo de golfe. Por mim, não teria feito este campo de golfe nunca. Mas, infelizmente, todos os pareceres diziam que nem o Gávea Golf nem o Itanhangá serviam [para os Jogos]", disse Paes.

O prefeito justificou a construção do campo de golfe como um dos pesos para realizar a Olimpíada.

No mês passado, o Ministério Público do Rio instaurou inquérito para investigar eventual ato de improbidade administrativa do prefeito na operação que viabilizou a construção do campo de golfe.

A investigação foi aberta após representação do movimento "Golfe para quem?". De acordo com a entidade, o prefeito gerou uma receita de mais de R$ 1 milhão para a incorporadora que vai construir o campo de golfe, ao custo de R$ 60 milhões.

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