Político chavista suspeito de laço com tráfico encontra diplomata dos EUA

By | 14/06/2015

Envolvido numa polêmica por supostos laços com o narcotráfico internacional, o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela e um dos homens mais poderosos do país, o deputado chavista Diosdado Cabello se reuniu no Haiti com um alto diplomata americano.

O encontro entre Cabello e o assessor especial do Departamento de Estado Thomas Shannon, ocorrido sem qualquer anúncio, ocorreu na tarde de sábado, segundo a mídia estatal venezuelana.

Cabello disse que a reunião foi parte dos esforços para "normalizar relações diplomáticas dentro do respeito da legislação internacional, da soberania e da autodeterminação dos povos".

Acompanhado da chanceler, Delcy Rodriguez, o chefe do Legislativo venezuelano afirmou que a conversa com Shannon representa um "passo importante para o restabelecimento pleno das relações entre ambos os países", que não trocam embaixadores desde 2010.

O encontro sucedeu visita de Diosdado ao Brasil, na qual se reuniu com a presidente Dilma Rousseff e com o ex-presidente Lula, entre outros.

Capitão do Exército e tido como um dos homens mais próximos do então presidente Hugo Chávez (1999-2013), Cabello foi acusado por um ex-guarda-costas de comandar um cartel de tráfico de cocaína dentro das Forças Armadas venezuelanas.

A denúncia foi publicada em janeiro pelo jornal espanhol "ABC". O ex-segurança vive hoje sob proteção das autoridades americanas.

No mês passado, o jornal "The Wall Street Journal" revelou que a Justiça dos EUA já investiga supostos vínculos de Cabello e outros altos funcionários de Caracas com o narcotráfico.

A denúncia levou a oposição venezuelana a cobrar que Cabello seja investigado também pela Justiça nacional.

Cabello nega as acusações e acusa os EUA de tentarem acabar com o governo da Venezuela, como fizeram em 2002, quando apoiaram um mal sucedido golpe de Estado contra o então presidente Hugo Chávez.

Tensões entre Caracas e Washington atingirem novo pico em março, após o presidente Barack Obama assinar ordem executiva que incluiu a Venezuela na lista dos países considerados "ameaça à segurança nacional" dos EUA. A medida também impôs sanções a sete autoridades venezuelanas de médio escalão.

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