Petrobras precisa se ‘redefinir’, avaliam especialistas

By | 25/12/2015
Logo da Petrobras é visto na sede da empresa no Rio de Janeiro (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

"Em 2015, a Petrobras mudou muito pouco", avalia o professor do Grupo de Economia da Energia da UFRJ Edmar Almeida. Em sua opinião, as restrições de caixa ainda pesam sobre os investimentos e o ritmo de crescimento da petroleira. E causa inércia na empresa. Ao mesmo tempo, enfrenta dificuldade para pôr em prática o plano de desinvestimento. "A Petrobras tem o desafio de se redefinir", afirmou o especialista.

A análise de consultores é de que o ano de 2016 também não será tranquilo. "O preço médio do petróleo no ano que vem deverá ser muito inferior à cotação já baixa de 2015. Além disso, a inflação no Brasil vem pressionando custos e a empresa ainda deve encontrar um caminho rápido para convencer os investidores de que tem condição de passar a tempestade", avalia Almeida.

Para o diretor de Óleo e Gás para a América Latina da consultoria IHS, Rodrigo Vaz, 2016 será um ano em "modo de sobrevivência". "A gente projeta um ano ainda de muita volatilidade (do preço do petróleo). Para o fim de 2016, esperamos que a oferta e a demanda voltem a se equilibrar. Até lá, a cotação do barril pode cair mais", disse ele.

A estimativa é que o preço do barril volte a subir apenas em 2017 e só em 2020 deve retomar o patamar de US$ 80 por barril.Por enquanto, a queda do petróleo contribui com as finanças da Petrobrás, segundo o professor do Insper e diretor da consultoria M2M, Eric Barreto. O resultado da área de abastecimento – que inclui produção e venda de combustíveis – está crescendo, com a compra de petróleo a preços baixos e a venda de gasolina e óleo diesel a preços superiores aos praticados no mercado externo.

O abastecimento responde por 46% da receita da petroleira.Pelas contas de Barreto, o câmbio é o principal entrave ao resultado financeiro da companhia, que possui alto endividamento em dólar.A Petrobrás está sendo prejudicada pelo recuo das exportações, que geram receita em moeda americana. Com a queda da venda e do preço do barril no mercado externo, a receita em dólar dessas operações já não é suficiente para compensar o crescimento da dívida, diz o consultor. 

Revista Época Negócios