“Passei muitos momentos perdida no vazio”, diz Sheryl Sandberg, COO do Facebook, um mês após morte do marido

By | 04/06/2015
Sheryl Sandberg ao lado de Dave Goldberg. (Foto: Reprodução Facebook)

Durante o último mês, Sheryl Sandberg aprendeu muito sobre amor, vida e como lidar com a dor da perda. A diretora de operações do Facebook escreveu nesta quarta-feira (03/06) na rede social sobre a morte de seu marido e CEO da SurveyMonkey, Dave Goldberg. Ele morreu no início de maio, após cair de uma esteira enquanto fazia exércicios em um hotel no México. Goldberg era um dos executivos de tecnologia mais admirados dos Estados Unidos.

"Acredito que, quando uma tragédia acontece, ela apresenta uma escolha", diz o texto. "Você pode ceder ao vazio, o vazio que enche seu coração, seus pulmões, restringe sua capacidade de pensar ou mesmo respirar. Ou você pode tentar encontrar um significado naquilo. Nestes últimos 30 dias, passei muitos momentos perdida no vazio. E sei que muitos momentos futuros serão consumidos pelo imenso vazio também. Mas quando puder, eu quero escolher a vida e o significado."

Segundo Sheryl, esse é o motivo pelo qual escreveu o texto em sua página. Ela quer marcar o fim de uma fase de profunda dor para uma em que retribui o apoio que tem recebido. "Embora a experiência do luto seja profundamente pessoal, a bravura daqueles que compartilharam suas próprias experiências me ajudou. Alguns dos que abriram seus corações eram meus amigos mais próximos. Outros eram completos estranhos que compartilharam sabedoria e conselhos. Então estou compartilhando o que aprendi na esperança de que isso ajude alguém. Na esperança de que possa haver algum significado nessa tragédia."

A executiva descreveu lições que aprendeu nos últimos dias. Os conselhos servem tanto para quem está passando por um periodo de luto quanto para as pessoas que estão apoiando outras. Sheryl diz ter notado que nunca realmente soube o que dizer para pessoas em momentos difíceis. Ela afirma, por exemplo, que perguntar "Como você está hoje?" é melhor do que "Como voce está?". A segunda sugere falta de conhecimento sobre a perda, enquanto a primeira mostra que você entende que se trata de uma luta diária.

"Aprendi algumas coisas práticas que importam. Embora agora saibamos que Dave morreu imediatamente, eu não sabia na ambulância. A viagem para o hospital era insuportavelmente lenta. Ainda odeio todos os carros que não se moveram para o lado, cada pessoa que se preocupava mais em chegar ao seu destino alguns minutos mais cedo do que abrir espaço para nós. Notei isso em muitos países e cidades. Precisamos sair do caminho. O pai, parceiro ou filho de alguém pode depender disso."

"Eu vivi 30 anos em 30 dias", escreveu. "Sou 30 anos mais triste. Sinto que eu sou 30 anos mais sábia." A executiva diz ter ganhado tambem uma compreensão mais profunda do que é ser mãe, tanto pela agonia de ver seus filhos gritando e chorando como por causa da relação com sua mãe. "Ela tentou preencher o espaço vazio na minha cama, segurando-me todas as noites quando eu chorava até dormir. Ela lutou para conter suas próprias lágrimas para dar espaço para às minhas."

Segundo Sheryl, ter voltado ao trabalho foi "uma salvação, uma chance de se sentir útil e conectada". Ela diz ter descoberto rapidamente que até mesmo essas conexões haviam mudado. "Muitos dos meus colegas de trabalho tinha um olhar de medo em seus olhos quando me aproximei. Eu sabia porquê, eles queriam ajudar, mas não tinham certeza de como."

Ela termina dizendo que vai honrar a memória do marido. "Como Bono cantou 'Não há fim para o sofrimento… E não há fim para o amor'. Eu te amo, Dave."

Revista Época Negócios