Para idosos, custos podem chegar a 20% do salário

By | 24/01/2016

Se para os consumidores em geral os gastos com saúde estão cada vez mais pesados no bolso, entre os aposentados a situação é ainda mais complicada. Isso porque, além dos idosos geralmente precisarem de mais medicamentos e cuidados médicos, a contratação de planos de saúde é bem mais cara para eles e os remédios gratuitos estão cada vez mais raros nos postos de saúde. Para quem ganha um salário mínimo, atualmente em R$ 880,00, o impacto chega a mais de 20% do orçamento.

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É o caso da aposentada Maria Alves, de 80 anos, moradora do bairro Cristo Redentor, em Fortaleza. Segundo ela, que recebe uma salário mínimo por mês, os gastos mensais com a saúde chegam a R$ 200, o que representa 22,7% de seu orçamento. "Eu sou diabética e recebo alguns remédios gratuitamente nas farmácias, tanto para a doença como também para minha pressão alta. Mesmo assim, tenho que comprar todo mês os remédios para colesterol, coração e o cálcio que me foi receitado. Todos muito caros", comenta. Aposentada há cerca de 20 anos, dona Maria destaca que nem todo mês os remédios gratuitos são distribuídos pelas farmácias.

"Às vezes, chego lá e não tem. Aí entra mais gasto, pois não posso deixar de tomar", diz. Segundo ela, seu salário foi reduzido em 25% quando se aposentou, o que dificultou o equilíbrio de suas contas. "Eu trabalhei mais de 30 anos com deficientes mentais, ganhando adicional de insalubridade. Quando me aposentei por tempo de serviço, o benefício foi retirado. Ainda recorri duas vezes, mas não deu em nada", lamenta.

Aperto generalizado

Segundo a presidente da União dos Aposentados e Pensionistas do Brasil – núcleo CE (Unapeb-CE) Mônica Maria da Silva, o caso de Maria Alves é apenas mais um que ilustra as grandes dificuldades que os idosos enfrentam não só no Ceará, mas em todo o Brasil. "Os gastos com saúde são bastante elevados e, para quem ganha um Mínimo, fica ainda mais difícil. Muitos chegam aqui dizendo que o governo não está mais oferecendo os medicamentos gratuitos, o que é ainda mais alarmante, pois se torna mais um gasto no orçamento", diz.

A presidente da Unapeb destaca, inclusive, que até os idosos que possuem uma aposentadoria melhor passam por dificuldades na hora de contabilizar os gastos com saúde. Segundo Mônica, no fim das contas, fica uma coisa pela outra. "Quem ganha melhor quer fazer um plano de saúde, daí gasta R$ 500, R$ 800 ou até mais contratando, fora os medicamentos. A verdade é que os salários em geral não acompanham os reajustes que acontecem na área da saúde", afirma.

Com o aperto, acrescenta, muitos aposentados abrem mão de outros produtos e serviços para terem condições de continuar arcando com os gastos relacionados à saúde, pois não podem deixar de tomar as medicações. "O idoso usa remédios de uso contínuo, tendo em vista que muitas vezes sofre de doenças crônicas. Assim, ele acaba deixa de lado o lazer e até a alimentação para continuar cuidando de sua saúde", ressalta. (AL)

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