País não deve parar para assistir a “espetáculo” da Lava-Jato, diz ministro da Defesa

By | 25/02/2015

O ministro da Defesa Jacques Wagner disse nesta terça-feira (24) que o país não deve parar para assistir "ao espetáculo da investigação" da Lava-Jato. Segundo ele, o governo tem uma agenda própria -citou a reforma política e a organização da Olimpíada em 2016- que não deve ficar presa exclusivamente aos desdobramentos da operação.

Em visita ao estaleiro da Marinha que constrói o submarino brasileiro de propulsão nuclear, em Itaguaí (região metropolitana do Rio), o ministro afirmou que o país tem que separar a investigação da corrupção na Petrobras da agenda do governo.

"A luta contra a corrupção é ininterrupta, porque onde tem dinheiro tem sedução. Não é que eu fique feliz, pelo contrário, eu queria que não tivesse acontecido, mas fico satisfeito de ver que temos a imprensa para fiscalizar e o Judiciário para punir. Mas nós não vamos parar o país para ficar assistindo ao espetáculo da investigação. Esse item tem que ter o seu contexto. Vamos trabalhar agora porque o pessoal [a população] depende de emprego e crescimento econômico", afirmou.

Wagner já havia defendido, ainda que de maneira não explícita, a investigação de empresas e a sua preservação como instituição. De acordo com o ministro, um país é conhecido pela sua cultura e também pelas suas companhias locais.

O ministro respondia se haveria alguma preocupação no governo por atraso nas obras do submarino nuclear, já que a Odebrecht, uma das empresas investigadas na Lava Jato, é sócia no empreendimento.

"Eu acho que a gente tem que separar o que é a bem-vinda investigação dos que cometeram ilícito da bem-vinda manutenção das empresas brasileiras, que ao longo da sua história representam a inteligência nacional", disse.

Ele chegou a dizer que tem orgulho da Odebrecht, ao lembrar que ela foi uma das construtoras do aeroporto de Miami, na Flórida (EUA). Afirmou, contudo, que se forem comprovados desvios e irregularidades, os responsáveis devem ser punidos. "Graças a Deus o Judiciário, a Polícia Federal e o Ministério Público funcionam no país."

Testemunha

Wagner, indicado como testemunha pela defesa de Ricardo Pessoa, dono da construtora UTC, não disse se iria comparecer ou não. Segundo ele, seu nome foi cogitado "talvez" porque a UTC tenha obras na Bahia, onde ministro foi governador (2007-2014). Ele voltou a negar que tenha recebido doações da empresa para a campanha de 2006, mas admitiu, novamente, que recebeu valores da empresa em 2010. Contudo, se contradisse na resposta sobre o tema.

Inicialmente, disse que não recebeu em 2006 e confirmou que recebeu em 2010 e que seu candidato à sucessão, em 2014, também teria recebido. Na mesma resposta, ao justificar que suas contas foram aprovadas pelo TRE da Bahia, disse que a UTC "deu contribuição em 2006 e deu contribuição em 2010". Segundo ele, as doações estão registradas e "não tenho preocupação em relação a isso".

O ministro disse ainda que o "sofrimento da sociedade" com a Lava -ato irá servir para que a reforma política vá adiante e que haja mudança no financiamento privado de campanha política.

"A máquina de financiamento privado de campanha no Brasil é claramente danosa à relação público-privada", afirmou.

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