País executa 47 supostos terroristas

By | 03/01/2016

Riad. A Arábia Saudita executou um proeminente clérigo xiita ao lado de dezenas de membros da Al Qaeda ontem. A maior parte dos 47 executados foi condenada por ataques da Al Qaeda na Arábia Saudita há uma década, mas quatro, incluindo o clérigo Nimr al-Nimr, eram muçulmanos xiitas acusados de atirar em policiais durante protestos contra o governo em anos recentes.

Principal rival regional de Riad, o Irã e seus aliados xiitas imediatamente reagiram com a condenação vigorosa à execução de Nimr al-Nimr.

As execuções pareciam destinadas principalmente a desencorajar os sauditas ao jihadismo, depois de explosões e tiroteios praticados por militantes sunitas na Arábia Saudita terem matado dezenas no ano passado e de o Estado Islâmico ter chamado seguidores no Reino para realizar ataques.

"O governo saudita apoia movimentos terroristas e extremistas, e ao mesmo tempo utiliza a linguagem da repressão e a pena de morte contra seus opositores internos (…) pagará um preço alto por essas políticas", disse o porta-voz do ministro Jaber Ansari (Relações Exteriores).

O sobrinho do xeque, Ali al-Nimr, menor de idade no momento da detenção, não está entre os executados, que geralmente são decapitados com sabre. Os condenados (5 sauditas, um egípcio, um chadiano) foram executados em doze cidades do reino, indicou o ministério do Interior em comunicado oficial.

Eles haviam sido condenados, segundo as autoridades, por diferentes casos, incluindo o fato de terem aderido à ideologia radical "takfiri" (termo utilizado para grupos radicais sunitas), por juntar-se a "organizações terroristas" ou ter participado de "conspiração criminosa".

Nimr al-Nimr, 56 anos, crítico ferrenho da dinastia sunita Al-Saud, foi um dos líderes do movimento de contestação que eclodiu em 2011 no país. Neste sábado, dezenas de xiitas sauditas foram às ruas para protestar contra a morte de Nimr e entraram em confronto com a polícia.

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