Operação Porto Victoria prendeu doleiros por fraude em contratos de câmbio

By | 13/06/2015
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Entre os onze alvos da Operação Porto Victoria, deflagrada nesta quinta-feira (11/06) estão Marcos Glikas e Abidão Bouchabiki, apontados como doleiros com importante papel na organização criminosa que movimentou cerca de R$ 3 bilhões em operações fictícias de comércio exterior e fuga de capitais da Venezuela.

Glikas já foi alvo da Polícia Federal em 2004, tido como um dos maiores contrabandistas de pedras preciosas do Brasil. Na ocasião, ele foi preso pela Operação 'Kimberley', nome do certificado exigido para comercialização internacional de diamantes.

Segundo a PF, Glikas já havia sido preso em Nova Iorque, por ordem da Justiça americana em investigação de lavagem de dinheiro. Solto após o pagamento de fiança, ele retornou ao Brasil. Em 2004, foi pego na investigação sobre garimpo ilegal em Rondônia, envolvendo índios da etnia cinta larga.

A PF informou que Glikas é investigado, agora, da Operação Porto Victoria que desmontou organização criminosa para lavagem de dinheiro, evasão de divisas e gestão fraudulenta de instituição financeira.

Abidão Bouchabiki também está sob suspeita da Polícia Federal. Por meio de uma corretora de câmbio ele teria fraudado contratos para simular operações de comércio exterior com exportações para a Venezuela de produtos superfaturados em até 5.000%. 

+ Ex-vice presidente do BB é preso pela PF 

A Porto Victoria é uma investigação iniciada há nove meses, a partir de um alerta da Agência Norte Americana de Imigração e Alfândega (ICE) envolvendo um brasileiro que estaria ligado a um esquema de lavagem de ativos em diversos países, entre os quais a Venezuela. "Identificamos uma evasão de bilhões de bolívares venezuelanos", disse o delegado Alberto Ferreira Neto, que conduz a investigação.

A PF constatou que o ex-vice-presidente do Banco do Brasil Allan Simões Toledo, hoje executivo do Banco Banif, é um dos envolvidos nas operações ilegais. Ele foi preso em regime temporário por cinco dias.

Glikas e Bouchabiki foram presos sob suspeita de cooptarem bancos para formalização de contratos de comércio exterior – exportações fictícias para Caracas que abriam caminho para depósito de valores em contas secretas em Hong Kong. Entre os presos da Porto Victoria está o ex-secretário municipal da Copa do Mundo em Curitiba (PR), Luiz de Carvalho, também sob suspeita de lavagem de dinheiro.

Funcionários desses bancos "trabalhavam a serviço do crime organizado", segundo a PF. Os funcionários das instituições financeiras vão ser chamados para depor. "Fazem do crime financeiro e do colarinho branco seu modo de vida", disse o delegado Alberto Ferreira Neto.

Três desses funcionários de bancos foram presos "por condutas extremas", informou a PF. "A organização criminosa usa o sistema financeiro formal para evasão", disse o delegado. "Sempre encontram uma brecha."

Revista Época Negócios