ONU pede diálogo na Venezuela

By | 28/02/2015

Santiago. O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, convocou um diálogo pacífico para resolver a crise política por que passa a Venezuela.

"Tenho acompanhado de perto o desenrolar da atual situação. Espero que estes problemas, quaisquer que sejam as causas das manifestações, se resolvam através do diálogo, de forma pacífica", disse ele, em uma coletiva em Santiago.

Ban Ki-moon está na capital chilena para participar de uma reunião da ONU-Mulheres. Questionado a respeito da crise política na Venezuela, o secretário-geral também pediu que governos e todas as partes envolvidas se reúnam para resolver este problema.

Na última quinta-feira, por meio de um comunicado, ele tinha expressado preocupação pelos últimos casos de violência no país sul-americano, onde um jovem de 14 anos morreu durante uma manifestação.

As manifestações foram retomadas após a prisão de Antonio Ledezma, prefeito na região metropolitana de Caracas e de oposição ao governo central, acusado de participar em uma conspiração para desestabilizar o governo de Nicolás Maduro.

O líder venezuelano convocou, na quinta-feira, seus seguidores a participar de uma passeata hoje para lembrar os 26 anos do levante popular conhecido como "Caracazo", que deixou centenas de mortos.

"Eu convido vocês para a grande marcha anti-imperialista do povo da Venezuela aqui em Caracas. Farei importantes anúncios durante essa marcha", disse o presidente durante uma cerimônia em Caracas que teve transmissão em rádio e TV.

A revolta popular, no dia 27 de fevereiro de 1989, começou nas favelas de Caracas com um protesto contra o aumento dos preços do transporte público decretado pelo governo de Carlos Andrés Pérez (1974-1979 e 1989-1993) e das taxas cobradas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). A manifestação foi reprimida a bala pelos soldados e policiais, e um número estimado entre 300 e 3.000 pessoas foram mortas.

Maduro pediu ao povo para participar da marcha com bandeiras e com outros símbolos patrióticos e disse que durante o evento serão feitas homenagens ao presidente Hugo Chávez, morto em 2013.

Viagem de senadores

A comissão de senadores brasileiros que pretende verificar in loco a situação na Venezuela foi criada diante da reação "tímida e inibida" do Executivo frente à crise no País vizinho, disse o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES). Parlamentares cobram reação mais enfática do governo Dilma Rousseff. "Não dá para dialogar com um governo que reage com balas e bombas. As posições da chancelaria brasileira foram medíocres", afirmou.

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