ONU condena teste de bomba e fará sanções

By | 07/01/2016

Washington. O Conselho de Segurança da ONU condenou fortemente o teste com uma bomba de hidrogênio, que, segundo a Coreia do Norte, teria sido realizado ontem, e prometeu, ainda, buscar novas sanções contra o país.

"Os membros do Conselho de Segurança lembraram que já haviam expressado sua determinação em tomar outras medidas significativas no caso de um novo teste nuclear da Coreia do Norte", declarou o embaixador uruguaio na ONU, Elbio Rosselli, que preside o conselho em janeiro. "De acordo com esse compromisso e diante da gravidade dessa violação, os membros do Conselho de Segurança começarão a trabalhar imediatamente nessas medidas em uma nova resolução do Conselho de Segurança", afirmou.

A Coreia do Norte é alvo de sanções do Conselho desde que realizou seu primeiro teste nuclear, em 2006. Outros dois foram feitos em 2009 e em 2013. Segundo Rosseli, o teste foi "uma clara violação das resoluções" do conselho e representa também "uma ameaça clara à paz e segurança internacionais".

Ontem, a Coreia do Norte anunciou ter realizado seu primeiro teste "com sucesso" de uma bomba de hidrogênio – com potencial destrutivo muito maior que uma bomba atômica tradicional. Segundo Pyongyang, a bomba testada era um dispositivo "miniaturizado".

O teste surpresa foi autorizado pessoalmente pelo ditador Kim Jong Un, exatamente dois dias antes do seu aniversário, informou a emissora estatal norte-coreana. Mais cedo, um terremoto de magnitude 5,1 foi registrado no país, próximo de uma zona de testes nucleares, levantando suspeitas da realização de um novo teste atômico pelo governo de Pyongyang.

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Reação internacional

O anúncio norte-coreano foi recebido com ceticismo por especialistas e suscitou críticas no mundo. A Coreia do Sul, que vive desde 1953 em estado de guerra com o vizinho do Norte, "condenou com força" o teste e pedirá novas sanções ao país.

Até China e Rússia, países próximos a Pyongyang, criticaram a ação. "A China mantém firme sua posição de que a península coreana deve ser desnuclearizada e a proliferação nuclear, evitada para manter a paz e a estabilidade no Nordeste da Ásia", disse a porta-voz do ministério chinês das Relações Exteriores, Hua Chunying.

Em Moscou, a porta-voz da chancelaria russa, Maria Zakharova, disse que o anúncio "agrava a situação na península coreana, que já é marcada pelo elevado potencial de confronto militar e político". O encontro extraordinário do conselho, realizado a portas fechadas, foi solicitado por EUA e Japão, afirmou o porta-voz da missão americana na ONU, Hagar Chemali.

Provas inconsistentes

O governo dos Estados Unidos, por sua vez, reagiu com ceticismo ao anúncio do regime norte-coreano de que o país realizou o teste de uma bomba de hidrogênio. De acordo com Josh Earnest, porta-voz da Casa Branca, as análises iniciais das agências de informação norte-americanas "não são consistentes com o anúncio norte-coreano de um teste nuclear bem-sucedido".

Ele acrescentou que as agências continuavam a coletar dados para ter uma conclusão mais clara, mas observou que especialistas de várias partes do mundo haviam expressado "ceticismo significativo e compreensível" em relação à credibilidade do anúncio feito por Pyongyang.

"O que é verdade é que a Coreia do Norte continua sendo uma das nações mais isoladas do mundo e que esse isolamento só se aprofunda à medida em que eles tentam se envolver em atos crescentemente provocativos", disse Earnest.

Desde abril

Imagens de satélite e informações do governo da Coreia do Sul divulgadas nos últimos meses mostravam que a Coreia do Norte se preparava pelo menos desde abril para o teste nuclear de ontem.

Desde junho, a Escola de Estudos Internacionais da Universidade Johns Hopkins, nos EUA, divulga fotos de uma construção sendo feita na base norte-coreana de Punggye-ri, onde ocorreu a última explosão.

Os primeiros registros dos trabalhos foram feitos em abril, com a escavação de um primeiro túnel. Em 25 de outubro, já eram quatro grandes túneis, em padrão similar ao usado em testes de bombas nucleares no passado. Em 3 de dezembro, quando foram divulgadas as imagens pelo site 38 North, os especialistas afirmaram não haver sinais de que existiriam ataque nas semanas seguintes.

Nos exercícios de 2006, 2009 e 2013, a China e os Estados Unidos foram comunicados sobre os testes um dia antes de eles acontecerem. Os serviços de inteligência não informaram o motivo pelo qual isso não foi feito desta vez.

Brasil

Já o Itamaraty demonstrou "grande preocupação" e condenou "veementemente" o teste de uma bomba de hidrogênio pela Coreia do Norte.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil "conclama" o país asiático a "cumprir plenamente suas obrigações perante as Nações Unidas", em referência ao Tratado de Não Proliferação Nuclear, e "insta" a Coreia do Norte a retomar as chamadas "negociações hexapartites" – grupo formado por países como China e Coreia do Sul – sobre a "desnuclearização da Península Coreana".

A União Europeia e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) também se manifestaram sobre o anúncio do teste.

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