Ofensiva das Farc afeta população

By | 13/06/2015

Bogotá. Após as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) anunciarem a suspensão de seu cessar-fogo unilateral, os guerrilheiros iniciaram uma ofensiva sobre a infraestrutura no sudoeste do país, incluindo ataques sobre a rede elétrica e derramamentos de petróleo que afetaram mais de um milhão de colombianos.

Devido a atentados contra torres de energia, ficaram sem luz 400 mil pessoas na cidade de Buenaventura, 250 mil na cidade de Tumaco e 457 mil no Departamento de Caquetá, informou o jornal colombiano "El Tiempo".

Segundo a Câmara de Comércio de Caquetá, os ataques da guerrilha provocaram um prejuízo estimado em 1,4 bilhão de pesos colombianos (cerca de R$ 1,7 milhão).

"A cidade funciona a 50% (de sua capacidade) porque todas as instituições dependem dos sistemas de informação e de internet para trabalhar", declarou ao "el Tiempo" Marcela Trujillo, gerente de uma unidade de saúde em Caquetá que paralisou suas atividades após o apagão.

No Departamento de Puntamayo, guerrilheiros das Farc interceptaram caminhões que transportavam petróleo e forçaram seus motoristas a derramar 200 mil galões do produto na segunda-feira (8).

O secretário-geral da Unasul, Ernesto Samper, propôs ontem ao governo da Colômbia e às Farc uma trégua bilateral com verificação estrangeira, após a ofensiva lançada por esta guerrilha em meio a negociações de paz que mantém em Cuba.

O ex-presidente colombiano (1994-1998) criticou o ataque atribuído aos rebeldes com derramamento de petróleo, um dano que, segundo Bogotá, levará 15 anos para ser mitigado e que pode se espalhar para o Equador e o Peru.

Segundo o ministro do Ambiente, Gabriel Vallejo, o ataque "causou danos muito delicados aos ecossistemas da região", que podem "demorar 15 anos para serem revertidos".

Apesar de se concentrar sobre setor energético da Colômbia, a ofensiva das Farc também inclui emboscadas e ataques contra as forças de segurança. Na quinta (11), três policiais morreram e dois ficaram feridos no Departamento de Cauca devido a um ataque de guerrilheiros.

O retorno das hostilidades entre as Farc e as forças de segurança deixou o Exército em alerta máximo. Cerca de 12 mil homens são responsáveis por vigiar a infraestrutura energética.

Em Bruxelas, na Bélgica, participando da cúpula entre a União Europeia e a Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribe, o presidente colombiano Juan Manuel Santos classificou as ações das Farc como "irracionais" e "terroristas".

"Uma das maiores vítimas da guerra em meu país é o meio ambiente", disse o mandatário. "E se (os guerrilheiros) pensam que é assim que se faz a paz, estão equivocados de cabo a rabo". O conflito armado no país, que já dura mais de 50 anos, deixou mais de 220 mil mortos e seis milhões de deslocados

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