Nirez deixa a diretoria do Museu da Imagem e do Som

By | 11/02/2015

Depois de cinco anos à frente do Museu da Imagem e do Som do Ceará (MIS-CE), o memorialista Miguel Ângelo de Azevedo, o Nirez, foi desligado do cargo de diretoria que ocupava desde o dia 14 de janeiro de 2009. O anúncio foi feito na noite desta quarta-feira (11), na página pessoal do pesquisador no Facebook.

Na rede social, Nirez desabafou: “Quero comunicar aos nobres amigos que não sou mais o diretor do Museu da Imagem e do Som do Ceará. Devem ter achado um melhor nome para substituir o meu, que após passar por vários secretários só recebi apoio do que me convidou, o Francisco Auto Filho, em cuja gestão o MIS viu algum dinheiro. E não se pode gestar sem dinheiro”.

Em entrevista, o pesquisador relatou que, após uma primeira visita do secretário Guilherme Sampaio ao equipamento, na qual foram expostos alguns problemas financeiros do local, ele foi convidado para participar de uma reunião com o novo secretário adjunto da Secult, Fabiano dos Santos Piúba. 

A reunião aconteceu na tarde da última terça-feira, na sede da Secult, e lá mesmo ele foi comunicado que não ficaria mais à frente do MIS. Outro cargo, no entanto, foi sugerido a Nirez.

“Me ofereceram a diretoria do Arquivo Intermediário, que fica ali na Pinto Madeira, mas eu estava no MIS porque tenho afinidades com o museu, afinal tenho um em minha casa, que, por sinal, tem acervo melhor que o de lá. Essa é minha praia, mas não arquivo de papeis, não tem nada a ver comigo; declinei do convite e vim embora”, contou.

Em relação à falta de investimento público no equipamento, Nirez afirmou que as despesas de manutenção e organização de eventos foram custeadas, em sua maioria, pelo próprio bolso, ou ainda pela venda de artigos na lojinha que funciona no local. “O governo não entrou com um tostão. O R$ 1,5 milhão prometido pela gestão Cid Gomes nunca saiu”, critica, fazendo referência ao investimento anunciado junto a uma série de ações, sintetizadas no plano conhecido como Virada Cultural, de 2012.

Questionado sobre o novo nome que irá assumir a diretoria, Nirez afirmou que ainda não sabe. “Eles disseram que não têm ainda, mas é claro que têm. Se a pessoa me tira é porque já tem outro”. O desafio, segundo ele, é para quem tem “costas largas” e consegue "se virar sem dinheiro". Ainda de acordo com o pesquisador, para sobreviver raquiticamente, o Museu precisaria de, pelo menos, cinco mil reais anuais.

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