Netanyahu é criticado após dizer que Holocausto foi sugestão palestina

By | 21/10/2015

Numa declaração que gerou críticas imediatas tanto de lideranças palestinas como israelenses, o premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, disse na noite de terça (20) que o Holocausto teria sido ideia de um religioso palestino, e não do ditador alemão Adolf Hitler.

Segundo Netanyahu, Haj Amin al-Husseini, grão-mufti de Jerusalém entre 1921 e 1937, teria orientado Hitler durante uma viagem a Berlim, em 1941.

"Hitler não queria exterminar os judeus naquela época, ele queria expulsar os judeus", disse Netanyahu. "E Haj Amin al-Husseini disse a Hitler: ‘Se você expulsá-los, eles virão todos para cá’", completou.

Na versão de Netanyahu, o ditador alemão teria perguntado, na sequência o que deveria fazer então com os judeus. "Queimá-los", teria respondido o líder religioso palestino, segundo o premiê israelense.

À época, antes da criação do Estado de Israel, o território da Palestina estava sob mandato britânico.

A declaração de Netanyahu foi feita durante o 37º Congresso Sionista Mundial em Jerusalém, horas antes de Netanyahu embarcar para a Alemanha e momentos antes de dividir o palco com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

O secretário-geral da OLP (Organização para a Libertação da Palestina), Saeb Erekat lamentou o discurso de Netanyahu e disse que o premiê deveria parar de "usar essa tragédia humana para angariar pontos para um fim político".

"É um dia triste na história, quando um líder do governo israelense odeia tanto seu vizinho que quer absolver o criminoso de guerra mais notório na história, Adolf Hitler, do assassinato de seis milhões de judeus", disse Erekat, que é o principal negociador palestino com os israelenses.

Até o ministro de Defesa israelense, Moshe Yaalon, que é muito próximo a Netanyahu, rechaçou a declaração. "Certamente não foi [Husseini] que inventou a ‘Solução Final’", disse Yaalon à rádio do Exército. "Foi uma ideia maligna do próprio Hitler."

Nas redes sociais, as críticas se propagaram rapidamente a Netanyahu, cujo pai foi um historiador reconhecido.

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