Negociação sobre dívida grega falha

By | 25/06/2015

Atenas. Diante de exigências dos credores, não houve acordo ontem para evitar um calote da Grécia e baixar o risco de o país deixar a zona do euro.

Após reunião em Bruxelas, a terceira em uma semana, os ministros de Finanças do bloco não avançaram para anunciar uma solução para o caso.

Todos aguardam as conversas, também na cidade belga, entre o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, e os dois credores, FMI e BCE (Banco Central Europeu).

O país precisa pagar até terça (30) dívida de 1,6 bilhão de euros ao FMI. Para quitá-la, tenta desbloquear 7,2 bilhões de euros, última parte do socorro de 240 bilhões de euros recebido do FMI e BCE desde 2010.

A Grécia fez no começo da semana uma proposta de ajuste fiscal de 7,9 bilhões de euros até 2016 para receber a verba. Havia uma expectativa de solução depois de um aceno positivo dos líderes dos países europeus.

Nos últimos dois dias, no entanto, os credores analisaram tecnicamente a oferta e apresentaram uma contraproposta, inicialmente rejeitada por Alexis Tsipras, que é do partido de esquerda Syriza.

Segundo o presidente do Eurogrupo, holandês Jeroen Dijsselbloem, as negociações devem continuar à espera de uma solução hoje, quando outros líderes estarão na Bélgica para reunião de cúpula da União Europeia.

"Infelizmente, nós ainda não chegamos a um acordo, mas estamos determinados a continuar trabalhando, este trabalho vai avançar durante a noite, se necessário", disse Dijsselbloem.

O efeito do calote no FMI seria imediato. Com o bloqueio dos 7,2 bilhões de euros, a Grécia não pagaria sua dívida e ficaria pela primeira vez sem ajuda externa desde a crise de 2010, aumentando o risco de deixar a zona do euro.

No Twitter, Tsipras afirmou que não havia "interesse" do outro lado em selar um acordo.

Exigências

FMI e BCE exigiram mais recolhimento de imposto e endurecimento na reforma previdenciária. Cobraram ainda que parte das medidas passe a valer a partir de julho, logo após expirar o prazo da dívida grega.

Tsipras disse que precisa de tempo para votá-las no Parlamento, até porque membros do Syriza e do Gregos Independentes (aliado de coalizão) têm se mostrado resistentes a determinados pontos. Pela oferta de Atenas, as principais medidas teriam força a partir de outubro.

Ministros mostraram irritação por serem chamados para Bruxelas novamente apenas para esperar enquanto Atenas, o elo mais fraco dos 19 países que usam o euro, resistia a medidas sugeridas por seus credores como essenciais para equilibrar suas finanças públicas e tornar a economia mais competitiva.

O ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schaeuble, cujo país é o maior credor de Atenas, disse que os preparativos para um acordo mal tinham avançado. Seu colega austríaco foi um dos vários a dizer que as demandas gregas por alívio na dívida eram um problema.

Uma autoridade grega afirmou que as contrapropostas apresentadas pelos credores, entregues a Atenas na manhã de ontem e que vazaram rapidamente na Internet, não eram aceitáveis da forma como estavam, mas Tsipras esperava um acordo hoje. "O governo grego continua firme em suas posições", disse a autoridade.

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