Nasa declara 2015 o ano mais quente da história

By | 21/01/2016

Houston. A média da temperatura global em 2015 foi a mais alta já registrada desde o início da medição das temperaturas na superfície da Terra, em 1880. A informação foi divulgada, ontem, pela Nasa e confirmada pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, que chegaram a essa conclusão em estudos independentes.

A temperatura média global no ano passado superou o recorde anterior, de 2014, em 0,13 °C. A Nasa informou que o recorde de 2015 acompanha a tendência de aquecimento observada nos últimos anos. De acordo com a agência espacial, de 2001 para cá, ocorreram 15 dos 16 anos mais quentes já registrados na história.

A temperatura média do planeta subiu 1°C desde o fim do século XIX, aumento atribuído em grande medida às emissões de dióxido de carbono e outros gases resultantes da atividade humana na atmosfera.

De acordo com a agência espacial, fenômenos como El Niño, com forte efeito no aquecimento das águas do Oceano Pacífico, ao longo de 2015, podem contribuir com variações temporárias da temperatura média global.

No entanto, o especialista Gavin Schmidt, que dirigiu a análise da Nasa, diz que 2015 foi um ano notável mesmo no contexto do El Niño.

"As temperaturas do ano passado tiveram, sim, influência do El Niño, mas é o efeito cumulativo da tendência de longo prazo que resultou no registro de aquecimento que estamos vendo", afirma Schmidt, em declaração publicada no site da Nasa.

As análises da Nasa têm por base medições feitas em 6.300 estações meteorológicas, navios e boias de temperatura nos oceanos, além de estações de pesquisa da Antártida. As medições brutas são analisadas com o uso de um algoritmo que leva em conta a distância entre as estações em todo o mundo e os efeitos do aquecimento urbano, que poderiam distorcer os resultados.

Os cientistas da NOAA baseiam-se nos mesmos dados brutos de temperatura, mas usam métodos diferentes para analisar as temperaturas globais.

Poluição na China

Os níveis de poluição em quase 300 cidades chinesas excederam amplamente os padrões de qualidade nacionais em 2015, apesar de ligeiras melhorias registradas nas áreas mais poluídas, informou, ontem, a organização Greenpeace.

Segundo os padrões chineses, o máximo recomendado de concentração de partículas PM2.5 – as mais finas e suscetíveis de se infiltrar nos pulmões – é de 35 microgramas por metro cúbico.

O nível de poluição nas 366 cidades testadas foi cinco vezes superior ao máximo recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) – 25 microgramas por metro cúbico.

O uso de carvão como fonte de energia é generalizado e emissões da indústria pesada cobrem as cidades chinesas em uma nuvem de poluição, que provoca anualmente milhares de mortes prematuras.

Pequim foi a 27ª cidade mais poluída, com média de 80,4 microgramas por metro cúbico, uma redução de 3,3% em relação a 2014. Os meses de novembro e dezembro foram os piores dos últimos três anos na capital chinesa, que decretou, por duas vezes, o alerta vermelho (o mais alto) por poluição atmosférica

Na província vizinha de Hebei, a cidade industrial de Baoding foi a segunda com os mais altos níveis de poluição no ano passado – uma média de 107 microgramas por metro cúbico.

A cidade mais poluída foi Kashgar, na região autônoma de Xinjiang, no Noroeste da China, com média de 119,1 microgramas por metro cúbico.

"Apesar de as condições climáticas ajudarem a explicar a poluição, a principal causa é o excessivo uso do carvão no Norte da China", diz o Greenpeace.

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