Muita ginga e axé

By | 25/01/2015

Capoeira pode ser definida de diversas formas: luta, esporte, dança, cultura. Capoeira se joga. Faz-se uma roda e, embalados pelo som das palmas, berimbau, pandeiro e cantigas, dois capoeiristas entram no círculos e começam a ginga, a coreografia da luta. A performance acaba ao comando do tocador de berimbau ou quando outro integrante entra na roda e “compra o jogo”, substituindo um dos jogadores.

O esporte conquista praticantes de todas as idades, podendo existir rodas de crianças e até mesmo de idosos. O objetivo? Varia desde uma vida mais saudável e incentivo à educação. 

As vantagens do esporte são diversas, uma vez que os capoeirista são estimulados a estudar e a melhorar as notas na escola. “Quem tira nota baixa é repreendido e fica sem jogar até se recuperar”, explica a professora. 

Outro fator de melhora é o comportamento. Na capoeira eles tem a agressão controlada, se tornam mais desinibidos e obedientes. “Alguns pais pedem para eu falar com os filhos porque dizem que eles escutam mais na roda do que em casa”, relata Bruxinha.

A capoeira, sem dúvidas muda as pessoas. Mudou Ariane Brenda Barbosa, de 11 anos. Integrante da escolinha do Colégio Paulo Sérgio Sousa Lira, ela conta que se interessou pela capoeira depois de ver as amigas jogando. Bastou entrar na roda uma vez para se encantar e não querer mais sair. “É muito legal, tem muitas amizades e a gente aprende muito”, fala.

A menina conta que gosta de tudo no esporte, a esquiva, os golpes, os amigos e, acima de tudo, o “abadá lindo”. Já Francisco Adriel, de 8 anos, diz que o que mais o encanta na capoeira é a união e a aprendizagem. Ah! Mas o garoto ressalta que o mais legal de ser capoeirista é participar das rodas e, é claro, dos eventos.

João Victor Gomes da Costa, de 9 anos, por sua vez, começou a jogar depois que o pai começou a falar do esporte. Então, após uma conversa com o professor, ele percebeu que queria fazer parte da roda. O menino conta que conquistou muitos amigos durante os seus dois anos de capoeirista e que também aprendeu a se defender de situações ruins.

A diversão é outro diferencial da cultura para as crianças. E foi também o que fez Jeovana Braz, de 12 anos, voltar a jogar. “Eu gosto muito da música, do axé, da roda e dos golpes”, diz. Ela fala que outro fator muito importante na capoeira é a disciplina: é preciso ter compromisso, poi senão leva advertência e é punido com alguns dias sem treino.

Para Cristiane Marreiros dos Santos, a contra-mestre Bruxinha, a capoeira incentiva bastante o desenvolvimento das crianças. Ela participa do Projeto ABC, ação que promove a divulgação do esporte em escolas carentes e de baixa renda com o intuito de dar uma opção de atividade para crianças de seis a 17 anos.

Você sabia?

A capoeira surgiu no Brasil, como uma forma de resistência dos escravos trazidos da África na época colonial. Além de ser utilizada para defesa física, a capoeira foi uma forma de manter a identidade dos escravos africanos.

Na capoeira, os praticantes utilizam mais os movimentos com os pés e a cabeça e menos os movimentos com as mãos.

O principal instrumento utilizado na capoeira é o berimbau. É ele que dita o ritmo e o estilo de jogo dando um som característico à capoeira. 

Hoje em dia a capoeira é dividida em três tipos: Capoeira de Angola (mais antigo e lento), Capoeira Regional (movimentos mais rápidos e secos) e Capoeira Contemporânea (une características dos dois estilos)

Existem, em média, 10 cordas de graduação na capoeira: amarela e crua, amarela, laranja e crua, laranja e amarela, laranja, azul e laranja, azul, verde, roxa, marrom e vermelha.

Diferente das outras modalidades de luta, a corda de mestre capoeirista é vermelha e não preta.

Chama-se “jogo de capoeira” ou “roda de capoeira”, pois normalmente os movimentos são apenas simulações de ataque, defesa e esquiva entre dois capoeiristas. 

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