MST ocupa a sede do Incra

By | 25/02/2015

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra ocupou, na tarde desta terça-feira, a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), no bairro Bela Vista. Num primeiro momento, de acordo com um funcionário do local, o grupo de manifestantes chegou a impedir que os servidores saiam do prédio. Por volta das 20h, entretanto, a saída dos funcionários foi liberada, restando no local superintendentes do órgão, para reunir-se com membros do MST. Os manifestantes permanecem no pátio do Incra, com barracas armadas e pessoas monitorando os portões de acesso ao Incra. Por volta das 21h30, a reunião ainda acontecia e os manifestantes não permitiram que a equipe de reportagem do Diário do Nordeste conversasse com a direção do Incra no local.

De acordo com Gene Santos, integrante da coordenação estadual do MST, cerca de mil pessoas do movimento, vindas de mais de 70  municípios e 200 assentamentos cearenses, saíram do Palácio da Abolição, onde estavam acampados desde a madrugada desta segunda-feira (9), rumo à sede no Incra. A principal reivindicação do grupo está relacionada à questão da reforma agrária que, na avaliação do representante, não tem apresentado avanços no governo da presidenta Dilma Roussef. O MST busca ainda a desapropriação de 33 áreas de acampamento existentes hoje no Ceará, assistência técnica para os assentamentos de reforma agrária, além de cestas básicas e lonas para as famílias assentadas. "Estamos pedindo também que haja uma intervenção imediata em relação a 11 áreas de despejo daqui do Ceará. Pedimos que o Governo Federal faça essa mediação e resolva a situação, porque o conflito no campo está crescendo e precisa ter uma ação efetiva do Incra, para poder solucionar essas questões", relata o representante do MST. 

Uma das exigências do Movimento, que será atendida, é a presença de representantes do Incra a nível Federal. A equipe deverá vir de Brasília durante esta quarta-feira para reunir-se com o MST. "O principal ponto que pedimos é uma intervenção de Brasília para resolver as situações. Porque existem algumas coisas que fogem do controle do Incra local. Mesmo que eles queiram desapropriar terras, por exemplo, não conseguem se não houver recursos de Brasília. Portanto, exigimos a presença dessa equipe para que possamos fazer uma negociação", esclarece Gene Santos. 

Avanços

Ainda na noite desta segunda-feira, os membros do MST reuniram-se com os titulares de três secretarias do Governo Estadual. A coordenação estadual do Movimento avalia que houve avanços em algumas demandas apresentadas ao governo, como a questão da água, que será resolvida com a instalação de poços profundos nos assentamentos. "Há ainda muito no que avançar. O principal ponto é um projeto de convivência com a seca, que seria um crédito emergencial no valor de R$ 15 mil por família, para 16 mil famílias do Ceará. Esse projeto ainda não foi executado, até porque precisa de um aporte financeiro de Brasília. Então estamos aguardando avanços na parte da obtenção de terra e desse auxílio emergencial. Em breve vamos iniciar uma mobilização nacional do MST, pela qual acreditamos que vamos obter novas conquistas", diz o membro da coordenação estadual do MST.

Ultima Hora