Ministro das Finanças da Alemanha não acredita em acordo sobre Grécia

By | 16/02/2015
Gregos reúnem-se em Atenas para apoiar novo governo na renegociação da dívida (Foto: Agência EFE)

 

O ministro de Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, disse estar cético de que a Grécia e credores europeus chegarão a um acordo hoje durante reunião para discutir sobre a dívida do país. O encontro, que será promovido pelos ministros de Finanças do Eurogrupo, em Bruxelas, deverá começar às 14h30 (de Brasília).

"Depois do que soube sobre as conversas técnicas do fim de semana, estou cético, mas teremos um relatório hoje e, aí, veremos", disse Schäuble, em entrevista à emissora de rádio alemã Deutschlandfunk. Na reunião, o Eurogrupo vai retomar negociações sobre um novo acordo de ajuda para a Grécia, cujo programa de resgate atual vence no final deste mês.

"O problema é que a Grécia viveu acima de suas possibilidades por um longo tempo e ninguém quer emprestar mais nada sem garantias", afirmou Schäuble. Ao ser perguntado sobre se a Grécia vai abandonar o euro, o ministro disse: "Você precisa perguntar isso aos meus colegas gregos. Não é algo que queiramos."

Representantes da chamada troica de credores – formada pela Comissão Europeia, pelo Banco Central Europeu (BCE) e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) – passaram a sexta-feira e o sábado discutindo possíveis mudanças no atual programa grego. 

Autoridades e analistas, no entanto, veem pouca chance de que um acordo seja fechado na reunião de hoje, uma vez que as opiniões das partes envolvidas continuam muito divergentes.
"Mesmo que os gregos recuam um pouco, o que é possível, a atmosfera política na Europa precisará ser mais dramática para justificar o que seria basicamente uma 'virada' de postura do governo grego", comentou Mujtaba Rahman, da consultoria Eurasia, prevendo que um possível acordo deverá vir apenas no fim de fevereiro.

Quaisquer alterações no conteúdo ou na data de vencimento do atual programa de ajuda da Grécia, de 240 bilhões de euros (US$ 273,2 bilhões), precisam ser definidos até sexta-feira (20), de forma que os Parlamentos nacionais de países como Alemanha, Finlândia e Holanda tenham tempo suficiente para aprová-las antes do fim do mês.

Revista Época Negócios