Ministro admite que África do Sul pode ter pago suborno por Copa do Mundo

By | 14/06/2015

Pela primeira vez, um membro do governo da África do Sul reconhece que o dinheiro enviado para o Caribe "pode ser propina" paga em troca de votos para sediar a Copa do Mundo de 2010. No centro do debate está a alegação do FBI de que os sul-africanos enviaram US$ 10 milhões para o então vice-presidente da Fifa, Jack Warner, em troca de seu voto.

Até agora, a Fifa insistia que, apesar de o dinheiro ter passado por ela, a entidade apenas cumpria ordens dos sul-africanos. Entre os doadores do dinheiro, a insistência era de que os recursos tinham como objetivo um programa social no Caribe. Agora, porém, o ministro Tokyo Sexwale admitiu que as alegações são "preocupantes". Em entrevista à BBC, o ex-prisioneiro de Robben Island e um dos organizadores da Copa abertamente colocou em dúvida se o dinheiro enviado foi uma doação.

"Onde estão os documentos? Onde estão os recibos? Onde estão os orçamentos e onde estão os projetos em campo?", questionou. Há duas semanas, a reportagem revelou que os US$ 10 milhões não apareciam em nenhum resultado financeiro dos sul-africanos. "Se não existe nada disso, vamos deixar intacta a interpretação do FBI", disse o representante do governo e que se recusa a apontar culpados. Ele também negou ser um dos citados no indiciamento do Departamento de Justiça dos Estados Unidos como um dos co-conspiradores.

Blindados 

Na África do Sul, a oposição tentou estabelecer uma CPI para investigar as alegações. Mas o governo conseguiu impedir que, legalmente, seus ministros comparecessem para depor. O governo também insiste que os US$ 10 milhões foram dados "sem qualquer condição", o que também gerou a revolta da oposição. "É inacreditável que se possa dar um presente de US$ 10 milhões sem [impor] condições", atacou Solly Malatsi, um dos líderes da oposição.

Na Fifa, o secretário-geral Jérôme Valcke insiste que controla cada centavo que sai e entra na entidade. Mas diz que não verificou como os US$ 10 milhões foram gastos. A primeira versão da explicação era de que o sinal verde para fazer o pagamento havia sido dado por Julio Grondona, cartola argentino que morreu no ano passado.

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