Milhares de argentinos saem às ruas para pedir justiça por morte de promotor

By | 18/02/2015

Dezenas de milhares de argentinos saíram às ruas nesta quarta-feira (18) sob chuva em Buenos Aires para pedir justiça pela misteriosa morte de um promotor que acusou a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, de encobrir um atentado.

A manifestação, uma das maiores já realizadas nos sete anos da gestão de Cristina, foi convocada por um grupo de promotores e rapidamente recebeu adesão da oposição, em meio à tempestade política que sacode o governo desde a morte do promotor Alberto Nisman há um mês.

"É uma marcha de silêncio. Mas se costuma dizer que o silêncio vale mais do que mil palavras. Fala de como se sente uma grande parte do país que não compartilha as ideias do governo", disse Héctor Fiore, aposentado de 68 anos, à Reuters.

Sob um dilúvio, os manifestantes cobriram a Avenida de Mayo, que une o Congresso Nacional à sede do governo, com seus guarda-chuvas. Muitos levavam como podiam cartazes pedindo "verdade" e "justiça".

A marcha, na qual participaram as principais figuras da oposição, embora sem exibir bandeiras políticas, foi duramente criticada na semana passada pelas autoridades federais, que consideraram que o evento apenas tentava desestabilizar o governo.

Mas as autoridades suavizaram suas críticas nesta quarta-feira a fim de evitar novos conflitos.

"Me sentiria participando se o objetivo real, no fundo, fosse uma homenagem a Nisman… tenho amigos (do governo) que vão estar lá", disse a jornalistas o secretário-geral de gabinete da Presidência, Aníbal Fernández.

A chamada "Marcha do Silêncio" também ocorreu em outras cidades da Argentina e, inclusive, em outros países, como no vizinho Chile, depois que a convocação foi publicada por diversas páginas na Internet.

A televisão argentina mostrou uma multidão protestando nas principais cidades do país, como Córdoba, Rosário e Mar del Plata.

Nisman apareceu morto com um tiro na cabeça no seu luxuoso apartamento em Buenos Aires um dia antes de apresentar aos deputados sua grave acusação contra Cristina e o chanceler, Héctor Timerman, de encobrir um ataque antissemita de 1994 no qual 85 pessoas morreram.

Embora a hipótese mais forte seja de que pode ter sido um suicídio, tampouco foi descartada uma morte estimulada ou um homicídio, numa trama que envolve os serviços de inteligência, apontados pelo governo como culpados pela morte de Nisman.

Atualmente, poucos argentinos acreditam que o promotor tenha se matado.

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