Metade da população mundial está acima do peso

By | 23/02/2015
Obesidade (Foto: Getty Images)

Estar acima do peso é uma realidade para praticamente metade da população mundial. Segundo um estudo divulgado pela empresa de pesquisas Nielsen, 49% das pessoas pesam mais do que deveriam. E essa taxa vem aumentando em todo globo. O levantamento entrevistou 30 mil internautas em 60 países.

Dos 671 milhões de obesos, 62% vivem em países em desenvolvimento, de acordo com o Estudo Global Burden of Disease de 2013. O estudo estima que 2,1 bilhões de pessoas (quase 30% da população mundial) estão acima do peso ou já são obesos.

Com o objetivo de identificar como as pessoas se sentem sobre sua imagem física e as medidas que estão tomando para levar uma vida mais saudável, o estudo da Nielsen aponta uma mudança de comportamento por parte dos consumidores. 50% dos entrevistados afirmam que estão ativamente tentando perder peso, enquanto 88% se dizem dispostos a pagar mais por alimentos com atributos saudáveis.

A crise de obesidade e desejo do consumidor de se tornar mais saudável pode ser um motor de crescimento para os fabricantes e os varejistas, que têm a oportunidade de liderar um movimento saudável, fornecendo produtos e serviços que os consumidores querem e precisam. Cerca de 75% dos entrevistados acreditam que eles “são o que comem” e cerca de 80% estão consumindo alimentos para evitar a obesidade, diabetes, colesterol alto e hipertensão.

Alimentos saudáveis
A pesquisa apontou que 88% dos consumidores estão dispostos a pagar mais pelos benefícios que os alimentos oferecem. Essa intenção é mais acentuada nos países em desenvolvimento: América Latina (94%), Ásia-Pacífico (93%), África/Oriente Médio (92%), Europa (79%) e América do Norte (80%).

A disposição de pagar mais caro por atributos de saúde diminui com a idade. As Gerações Z (menos de 20 anos) e Milênio (21 -34 anos) estão dispostas a pagar mais por todos os atributos. Já a Geração Silenciosa (com mais de 65 anos) é a menos interessada em pagar mais por esses alimentos.

As diferenças entre as gerações são identificadas, principalmente, nos alimentos funcionais, que reduzem o risco de doenças ou promovem a saúde. Por exemplo, 41% da Geração Z e 32% da Geração Y estão muito dispostos a pagar mais caro para os produtos que contenham ingredientes de origem sustentável, em comparação com 21% dos Baby Boomers e 16% dos entrevistados da Geração Silenciosa. A Geração Z e Y também são líderes do movimento sem glúten. 7% da Geração Z e 31% da Y estão muito dispostos a pagar mais por produtos sem glúten, enquanto apenas 22% dos Baby Boomers e 12% da Geração Silenciosa.

O que os consumidores procuram
​Os países em desenvolvimento lideram o caminho da busca por atributos saudáveis, mas nem todos os ingredientes são igualmente importantes. Os mais desejados são os alimentos frescos, naturais e minimamente processados. Cerca de quatro em cada dez entrevistados diz que a ausência de corantes artificiais, sabores e alimentos, feitos a partir de vegetais e frutas é muito importante.

Além disso, os consumidores estão à procura de alimentos funcionais que proporcionem benefícios. Veja a tabela que aponta o que os consumidores consideram mais saudável nos alimentos:
 

% dos entrevistados
que buscam o
benefício apontado
Benefício
38% Pobre em colesterol
36% Fibras
33% Pobre em sal
32% Proteínas
32% Sem açúcar
30% Grãos inteiros
30% Cálcio
30% Vitaminas
30% Com pouca gordura
29% Minerais
26% Sem xarope de milho
23% Sem cafeína
21% Zero glúten

Como são os consumidores que perdem peso?
​Em todo o mundo, a maioria dos entrevistados confia na dieta e em exercícios para perder peso. Três quartos dos entrevistados estão tentando perder peso mudando a dieta, e quase o mesmo número (72%) pratica exercício físico. Os número dos que tomam pílulas de dieta ou shakes chega a 11%. 7% fazem uso de medicamentos prescritos pelo seu médico e 6% o uso de outros métodos não descritos na pesquisa.

Entre os que estão mudando sua dieta para perder peso, quase dois terços (65%) dizem que cortam gorduras e 62% estão comendo menos chocolates e doces açucarados. Além disso, 57% dos entrevistados estão expandindo suas dietas com mais alimentos naturais e frescos. Comer porções menores é o método de dieta escolhido por 41% dos entrevistados.

Enquanto os consumidores podem querer fazer escolhas mais saudáveis, intenções e comportamentos nem sempre estão alinhados. Globalmente, a venda das categorias saudáveis e indulgentes cresceu entre 2012 e 2014, mas as categorias saudáveis ultrapassam as indulgentes (5% e 2%, respectivamente). Categorias saudáveis incluem shakes à base de leite, frutas, bebidas esportivas, chá, legumes, água e iogurte. Categorias indulgentes incluem refrigerantes, batatas fritas e chocolate.

Em todo o mundo, as categorias saudáveis têm maior crescimento nos países em desenvolvimento. As vendas cresceram 20% na África, 16% na América Latina e 15% na Ásia-Pacífico. Categorias indulgentes também estão crescendo nesses países, mas em um ritmo mais lento do que as categorias saudáveis (+ 13% em África / Oriente Médio, + 7% na América Latina, + 7% na Ásia-Pacífico).

O poder do rótulo
Produtos saudáveis, com textos explicativos de embalagem, tendem a vender mais. A eficácia das declarações de rótulos para as categorias semi-saudáveis e indulgentes, no entanto, parece depender da percepção dos consumidores do produto. Batatas fritas com grãos integrais no rótulo, por exemplo, caíram em vendas em 11% no período de dois anos, mas batatas fritas com sódio baixo ou reduzido aumentaram em 18%.

Compatível com a classificação da importância dos atributos dos consumidores, as vendas de produtos com atributos de "natural" e "orgânicos" têm crescido em média 25% , ao longo dos últimos dois anos. Também de acordo com o interesse por produtos mais puros/naturais, as vendas de produtos "diet/light" adoçadas artificialmente diminuíram 12%, enquanto os produtos naturalmente adoçados cresceram 186%.

As vendas de produtos com atributos de ingredientes saudáveis estão crescendo em todas as categorias. Os produtos com informações sobre o teor de sal (sódio baixo ou reduzido) e da adição de frutas para ambos os produtos cresceram 7% ao longo dos últimos dois anos, enquanto os produtos com alegações reduzidas ou nenhum teor de gordura cresceu 4%.

O que mais interessa os consumidores
​De acordo com a pesquisa, 41% dos entrevistados planejam comprar mais frutas e 39% mais vegetais. Além disso, 25% pretendem investir mais em peixes e frutos do mar, 24% em iogurtes, 23% em água, 22% em nozes e sementes, 20% em cereais, 20% em sucos e 18% em mais carnes e aves.

Enquanto os entrevistados pretendem comer de maneira mais saudável nos próximos seis meses, todo mundo precisa de um agrado às vezes. Os entrevistados esperam comprar indulgências, como biscoitos e bolos (47%), sorvetes e novidades congelados (44%) e batata frita/salgadinhos (38%).

Para as categorias de indulgência, o maior potencial de crescimento pode vir do mundo em desenvolvimento, particularmente na África/Oriente Médio. 

Revista Época Negócios