Março terá freio nas concessões de seguro no Estado

By | 11/02/2015

A histórica tendência de crescimento no número de liberações do seguro-desemprego, que ocorria anualmente há décadas, deve ser rompida a partir deste ano em função do aumento de exigências das novas regras para a liberação do benefício previstas na Medida Provisória (MP) 665, que passa a valer a partir do próximo mês de março.

Essa é a perspectiva da coordenadora do seguro-desemprego do Sine-IDT, no Ceará, Júlia Torres Colares. Segundo ela, no ano passado, o órgão bateu recorde no número de habilitações concedidas, com alta de 8,56% em comparação com 2013. "Superamos as expectativas em 2014, quando habilitamos 220.525 trabalhadores requerentes, enquanto a meta prevista era habilitar 203.124, mesmo número de habilitações do Sine-IDT em 2013", compara.

Os números, segundo ela, dizem respeito apenas ao seguros habilitados pelo Sine-IDT e não incluem os benefícios requeridos na Superintendência Regional do Trabalho (SRT) e nas unidades municipais do Sine.

Recursos

O total de recursos pagos em todo o Estado em 2014, conforme informações cedidas pela Caixa Econômica Federal, somaram mais de um bilhão de reais (R$ 1.045.631.530,38), sendo que esse valor, ressalta Júlia Colares, engloba todos os seguros habilitados no Ceará (Sine-IDT, SRT e Sines municipais). O montante é 14,7% maior em relação à soma desembolsada em 2013 pelo seguro-desemprego no Ceará (R$ 911.343.984,50).

Janeiro

No comparativo mensal, entre janeiro de 2015 e janeiro de 2014, a coordenadora do seguro-desemprego do Sine-IDT mostra que já houve um acréscimo de 2,38%. "Em janeiro deste ano, o Sine-IDT habilitou 18.355 trabalhadores a receberem o seguro-desemprego, superando os 17.928 trabalhadores habilitados em janeiro de 2014".

O montante pago também cresceu em janeiro de 2015 frente a igual período do ano passado. A soma paga pelo seguro-desemprego no Estado no primeiro mês do corrente ano chegou a R$ 90.125.410,53 – valor 19% superior aos R$ 75.689.171,92 pagos em todo o Ceará em janeiro de 2014. "Em relação aos valores, o aumento inclui o reajuste do salário mínimo e também o perfil do trabalhador demitido. Porque hoje todo mundo vem receber seu seguro-desemprego. Não é só o chão de fábrica que procura o benefício", diz Colares.

A alta no número de habilitações, segundo ela, reflete a rotatividade da mão de obra no mercado de trabalho. "Esse crescimento não ocorreu somente em 2014. Tem sido crescente todos os anos. Mas as novas regras devem mudar essa tendência. Acredito que vá haver redução, porque na lei antiga bastava comprovar seis meses consecutivos recebendo salário, retroativos à data da demissão, que o trabalhador já podia requerer o seguro", explica a coordenadora.

De acordo com o Ministério do Trabalho, dos 8,4 milhões de trabalhadores que receberam o seguro-desemprego em todo o País no ano passado, 2,27 milhões não teriam o direito ao auxílio com as novas regras do governo federal em vigor.

NE lidera desocupação no 4º trimestre

Rio. A taxa de desemprego aumentou em quatro das cinco grandes regiões no quarto trimestre de 2014, em relação ao quarto trimestre de 2013, segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados ontem (10), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Houve aumento na taxa de desocupação nas regiões Nordeste, de 7,9% no quarto trimestre de 2013 para 8,3% no quarto trimestre de 2014; Sudeste, de 6,2% para 6,6%; Centro-Oeste, de 4,9% para 5,3%; e Norte, de 6,5% para 6,8%. A região Sul foi a única a manter estabilidade, com 3,8% no período.

O País registrou um aumento na fatia de pessoas fora da força de trabalho no quarto trimestre de 2014, em relação ao quarto trimestre de 2013. O total de inativos passou a 39,1% das pessoas em idade de trabalhar contra um 38,9% de um ano antes.

Mínimo tem maior poder em 50 anos

Porto Alegre/São Paulo. As elevações reais dos rendimentos do trabalho foram determinadas, em parte, pela valorização do salário mínimo, diz o Boletim Econômico Regional que o Banco Central (BC) divulgou em Porto Alegre. "A política de valorização do salário mínimo repercute sobre o poder de compra dos trabalhadores em geral e dos beneficiários da previdência social", informa o documento.

Nesse cenário e com foco regional, o boletim analisa elasticidades de distintos estratos de salários da economia relativamente a variações do salário mínimo "O poder de compra do salário mínimo em janeiro de 2015 é o maior desde agosto de 1965, superado apenas pelo registrado no período de julho de 1954 a julho de 1965", diz o BC.

Ângela Cavalcante
Repórter

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