Manifestantes presos na Copa do Mundo são absolvidos

By | 28/06/2015

A Justiça de São Paulo absolveu dois manifestantes suspeitos de incitar a violência em atos contra a Copa do Mundo no ano passado.

A decisão do juiz Marcelo Matias Pereira, proferida na sexta-feira (26), considera improcedente a ação penal e inocenta o estudante da USP Fábio Hideki Harano e o professor de inglês Rafael Lusvarghi de todas as acusações que restavam contra eles: desobediência, incitação ao crime, associação criminosa e resistência.

Na ocasião, Hideki e Lusvarghi foram considerados os primeiros líderes black bloc (tática usada por manifestantes que prega a depredação do patrimônio público e privado) identificados e presos pela polícia.

Em um trecho da sentença, o magistrado afirma não ter sido demonstrado que os dois fossem black blocs, "até porque se trajavam de forma bem diversa do vestuário utilizado por esses [roupas pretas]".

"Outrossim, ficou muito fácil para a polícia eleger duas pessoas para acusá-las da prática de atos de vandalismo, visualizando entre todos, dois que mais se destacavam; vale dizer, Fábio, com seu capacete, e Rafael, com seu estilo exótico, já que, no dia, utilizava uma saia escocesa", diz outra parte do texto.

O juiz diz também que o fato de os réus terem conversado em certos momentos da manifestação não é suficiente para provar o crime de associação criminosa.

A decisão ainda cita um vídeo gravado no momento da prisão de Harano, no metrô Consolação, para refutar a acusação de desobediência. "Fábio permitiu a revista pessoal de seus pertences, tendo gritado alegando que não precisava ficar calado, o que não configura o crime de desobediência".

PORTE DE EXPLOSIVOS

Os réus já haviam sido absolvidos, em setembro de 2014, da acusação de porte de explosivos, que também fora imputada contra eles.

Na época, a Folha de S.Paulo revelou que os objetos tratados como explosivos pela polícia eram uma garrafa de Nescau com odor de gasolina e um frasco de fixador de tintas usado por artesãos.

Dois dias após a revelação, o juiz Marcelo Matias Pereira determinou a soltura dos réus, que estavam havia 45 dias presos. Segundo ele, a acusação estava "enfraquecida" diante da constatação.

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