Manhattan, a exclusiva ilha do milhão de dólares por apartamento

By | 16/01/2016
Nova York (Foto: Spencer Platt/Getty Images)

 

A ilha de Manhattan se transformou em um clube de proprietários milionários, a julgar pelo recorde alcançado no preço de seus apartamentos, que ficou na média em US$ 1,15 milhão no quarto trimestre de 2015.

Em um distrito onde os aluguéis dos apartamentos conjugados não baixam de US$ 1.600 e onde facilmente são pagos US$ 3.500 por um apartamento de um quarto, as vendas dificilmente seriam baratas, mas o recorde conseguido no ano recém-encerrado surpreendeu até as imobiliárias.

"Foi um ano extraordinário para as vendas", declarou ao jornal "New York Times" a chefe executiva do grupo imobiliário Corcoran, Pamela Liebman, que reconheceu que 2015 também trouxe "bastante frustração para os que queriam comprar um apartamento a um preço razoável".

No mês de julho, o prefeito Bill de Blasio, do Partido Democrata, inaugurou um prédio com uma cama que se fecha na parede e com um preço de aluguel de US$ 2.300 na rua 27, no leste de Manhattan. Cerca de 66 mil pessoas solicitaram um dos 55 imóveis.

Os imóveis de menor preço, que custam menos de US$ 500 mil para compra, representaram somente 14% do total das vendas em Manhattan, segundo um estudo da firma Douglas Elliman Real Estate publicado recentemente.

São os apartamentos que as próprias imobiliárias categorizam como de "ultraluxo" os que fazem a média disparar e representam o mercado ascendente e de maior projeção. O maior preço conhecido de 2015 foi pago por um duplex no número 157 da rua 57, com vista para o Central Park – custou US$ 100,4 milhões, pagos por um comprador desconhecido.

Outra operação que deu muito o que falar ano passado foi a do apartamento em que viveu por mais de 50 anos, até sua morte, a lendária atriz de Hollywood Lauren Bacall. O imóvel foi vendido em novembro por US$ 21 milhões. O apartamento, de três quartos e 370 metros quadrados, fica no mítico edifício Dakota, na entrada oeste do Central Park, na esquina com a rua 72.

No exclusivo edifício, frequentemente cercado por turistas por ser o local onde o beatle John Lennon morreu assassinado, viveram, entre outros, Judy Garland, Yoko Ono, Leonard Bernstein e Rudolf Nureyev. Até mesmo Madonna teve sua solicitação rejeitada pelo comitê de proprietários.

Em alguns edifícios exclusivos de Manhattan, além de dinheiro é preciso ter boas referências. O estilista americano Tommy Hilfiger também pôs à venda seu apartamento no hotel Plaza por nada menos que US$ 80 milhões.

As áreas mais caras para a compra de imóveis ficam no sul de Manhattan. O Soho é o bairro mais inacessível, com uma média de US$ 2,7 milhões, e novos condomínios construídos que superam os US$ 20 milhões. Ela é seguida, nesta ordem, por Tribeca, Flatiron District e Midtown Manhattan.

Um estudo da Douglas Elliman Real Estate, que indicou que a média por um apartamento em Manhattan já tinha superado a barreira do milhão de dólares, também afirmou que o setor imobiliário espera que 2016 continue sendo um ano "forte" para as vendas e com crescimento "sustentável".

Revista Época Negócios