Maior objetivo do plano de negócios é a desalavancagem da Petrobras, diz Bendine

By | 30/06/2015
Aldemir Bendine apresenta os resultados de 2014 da Petrobras  (Foto: Agência Petrobras/Fotos Públicas)

O presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, afirmou em coletiva de imprensa nesta segunda-feira (29/06), que o maior objetivo da companhia é a desalavancagem e voltar a gerar valor para os acionistas.

O executivo disse ainda que a empresa trabalhará na forma de financiamento dos investimentos. "Assumimos a companhia com o desafio de apresentar o balanço de 2014 auditado, trabalhar a financiabilidade e dar conhecimento ao nosso plano de negócios (2015-2019)", afirmou.

Segundo o presidente da Petrobras, o plano foi aprovado "após exaustivos debates". "É um plano que tem uma envergadura muito positiva. Tem valor de investimento bastante expressivo e pode dar um novo impulso para a cadeia de óleo e gás", disse. Ele destacou a cifra de R$ 29 bilhões a ser injetada na economia brasileira em 2015.

Bendine afirmou no seu pronunciamento de abertura da coletiva que a gestão anterior colocou a empresa "em situação de desconforto". Antes de Bendine assumir, a presidente da petroleira era Graça Foster. "O objetivo do plano é colocar a empresa no rumo correto", disse. De acordo com o executivo, o plano de investimento foi feito com bastante ousadia. "Apesar de reduzido, o plano de investimento (2015-2019) é robusto."

A empresa começará agora a trabalhar no plano de investimento de 2016.

Reajuste de combustíveis

Bendine afirmou que não há necessidade de reajuste dos preços dos combustíveis no curto prazo. O executivo destacou que os valores são acompanhados diariamente. "A gente trabalha todo dia medindo a paridade dos preços dos combustíveis", disse em coletiva de imprensa. Bendine afirmou que o cenário atual é de queda de demanda e que a margem dos combustíveis atualmente é positiva. "Quando as margens não forem positivas, a empresa vai rever os preços dos combustíveis."

Sobre os desinvestimentos, afirmou que as "janelas de oportunidades" determinarão a data de venda dos ativos. De acordo com ele, o preço do petróleo foi o que mais influenciou a redução do plano de investimento. "A Lava Jato não teve o mesmo impacto no orçamento que a queda no preço do barril."

Não há previsão de emissão de ações

A Petrobras afirmou taxativamente também que não previsão de emissão de novas ações para financiar os investimentos de US$ 130,3 bilhões previstos. A companhia confirmou ter utilizado como base para o novo plano um orçamento de US$ 206,8 bilhões para 2014-2018 e não os US$ 220,6 bilhões apresentados por Graça Foster em 2014. A companhia explicou que, dos US$ 108,6 bilhões de investimentos em Exploração e Produção, US$ 4,9 bilhões serão gastos no exterior. Além disso,US$ 1,3 bilhão dos US$ 12,8 bilhões destinados ao Abastecimento irão para distribuição.

A companhia informou que no cálculo que levou aos US$ 130,3 bilhões ela subtraiu US$ 28 bilhões de atualização cambial e de inflação e outros US$ 22 bilhões de atrasos e postergações de projetos. Outros US$ 5,6 bilhões em novos projetos foram adicionados na conta, bem como US$ 2,7 bilhões em desoneração de Capex (investimento) por reestruturações e desinvestimentos

Financiamento

A empresa "não enxerga nenhuma dificuldade" na sua capacidade de financiar os investimentos, segundo Bendine. "Estamos extremamente confortáveis com esse tema", disse em coletiva de imprensa sobre o Plano de Negócios e Gestão 2015-2019. De acordo com o executivo, o plano "superou as expectativas do mercado" e o aumento da geração de caixa garantirá a sua financiabilidade. Bendine disse que a companhia já demonstrou que tem acesso ao mercado nos últimos meses.

Em relação à queda do preço das ações, ele afirmou que a retração não indica que o mercado não gostou do plano, mas sim que está "volátil". O presidente da estatal afirmou que o mercado de derivados está em retração neste momento. "Estamos fazendo exportação de gasolina dado que a expectativa de demanda não está num momento de muita exigência", disse.

Novas unidades

A Petrobras detalhou em seu plano de negócios o cronograma de operação de novas unidades de produção previstas até 2020. De acordo com a companhia, a produção de 1,4 milhão de barris por dia estará associada a novas unidades de produção em 2020. Segundo a companhia, ainda neste terceiro trimestre entrará em operação a nova unidade de produção para Iracema Norte, no pré-sal da Bacia de Santos, chamada Cidade de Itaguaí.

Para o próximo ano, das sete unidades previstas inicialmente, apenas três constam no plano apresentado nesta segunda-feira pela companhia. Elas deverão operar nos campos de Lula Alto, Lula Central, no pré-sal da Bacia de Santos, ainda no primeiro semestre. Já no segundo semestre, está mantida a operação da unidade para o campo de Lapa, também no pré-sal da Bacia de Santos. Também está prevista a unidade responsável pelo teste de longa duração para o megacampo de Libra, no pré-sal de Santos.

O teste piloto de Libra ficou para 2020, segundo o plano. Para os anos seguintes, o numero de unidades a entrar em operação também foi reduzido. Em 2017, uma unidade foi cortada. Em 2018, para quando estava prevista a entrada em operação de nove unidades, apenas quatro estão mantidas, segundo o atual plano. Já em 2019, serão implantadas seis unidades.

Revista Época Negócios