Maduro promete rigor contra ‘conspiradores’

By | 21/02/2015

Caracas. O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, confirmou ontem que o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, da oposição, vai ser alvo de um processo judicial por conspirar contra o governo, prometendo "mão dura" contra os que considera conspiradores.

"Por ordem do Ministério Público, ele foi capturado e será processado pela Justiça venezuelana para que responda pelos delitos cometidos contra a segurança do país", disse Maduro, no Palácio Presidencial de Miraflores, durante reunião com representantes dos conselhos presidenciais do poder popular, transmitida pela televisão estatal.

"Vai haver justiça, caia quem cair. Quem estiver por trás tem que ir preso e vai pagar na cadeia. Não vou ser tolerante com aqueles que conspiram contra o país", destacou o presidente venezuelano. Maduro advertiu os opositores de que o chavismo "vai com tudo" contra quem tomar "atalhos" e voltou a insistir que existe uma conspiração dos Estados Unidos para derrubar o governo do país.

A coligação opositora Mesa de Unidade Democrática (MUD) acusou ontem o governo venezuelano de tentar colocar na ilegalidade a oposição, ao deter o líder do partido Alternativa Democrática, Antonio Ledezma.

"Constatamos a patética demonstração de debilidade que o governo venezuelano está dando perante a erosão do seu apoio popular. O governo optou por um atalho, pela violência e tenta ilegalizar a oposição democrática", disse o secretário da MUD, Jesus Torrealba.

Em entrevista em Caracas, Jesus Torrealba denunciou que o prefeito foi "brutalmente detido" na quinta-feira (19) e que, ontem, não havia informação oficial sobre o seu paradeiro. A detenção de Antonio Ledezma, líder do partido Alternativa Democrática, ocorreu um ano depois da detenção do também membro da oposição Leopoldo López, dirigente do partido Vontade Popular.

Mtizy Capriles de Ledezma, mulher do prefeito, disse à imprensa que ele foi detido por mais de 30 funcionários do serviço secreto que entraram em seu gabinete, na Torre Exa, em Chacao, na zona leste de Caracas e o levaram à força.

"Responsabilizo, de maneira total e absoluta, Maduro por qualquer coisa que aconteça a Antonio Ledezma", afirmou.

Críticas no Exterior

Em sua conta no Twitter, o ex-presidente do Chile Sebastián Piñera escreveu que "a detenção, ilegal e abusiva confirma os múltiplos atentados contra as liberdades, a democracia e os direitos humanos por parte do governo do presidente Maduro".

Piñera pediu "respeitosamente ao governo do Chile que levante claramente a sua voz em defesa das liberdades, da democracia e dos direitos humanos na Venezuela".

O ex-presidente da Colômbia Andrés Pastrana também lamentou a detenção. "Acompanhamos os irmãos venezuelanos neste momento difícil", disse.

A detenção ocorreu sete dias depois de António Ledezma, Leopoldo López e a opositora Maria Corina Machado apelarem aos venezuelanos para apoiar um Acordo Nacional para a Transição no país.

Indiciamento

A promotoria venezuelana disse ontem que apresentará acusações nas "próximas horas" contra o prefeito opositor de Caracas, Antonio Ledezma, que foi detido por estar supostamente vinculado a uma conspiração para destituir o governo. A promotoria disse em comunicado que a detenção ocorreu "por atualmente estar supostamente em andamento atos de conspiração para organizar e executar atos violentos contra o governo democraticamente constituído".

Direitos Humanos

A Human Rights Watch (HRW) pediu que o prefeito de Caracas seja libertado após o que classificou de detenção "arbitrária" por parte de agentes do serviço secreto da Venezuela.

"Sem provas da prática de um delito, o prefeito nunca deveria ter sido detido e deveria ser imediatamente libertado. Caso isso não ocorra, estaremos perante um novo caso de detenção arbitrária", afirmou o diretor da HRW para as Américas, José Miguel Vivanco.

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