Louis Vuitton virou ‘marca de secretária’ na China, afirma analista

By | 28/02/2015
Mulher caminha com bolsa Louis Vuitton (Foto: Getty Images)

Pagar milhares para ter uma bolsa Louis Vuitton não vale mais a pena para muitas chineses bilionárias. Os produtos da grife francesa não são mais objeto de consumo para os consumidores de alta renda, que têm buscado maior 'exclusividade' e produtos feito sob medida. Quem garante é o diretor financeiro Ewan Rambourg e autor de "The Bling Dynasty: Why the Reign of Chinese Luxury Shoppers Has Only Just Begun" (A Dinastia da Ostentação: Por quê o reinado de luxo dos consumidores chineses apenas começou). De acordo com ele, a grife virou "marca de secretária", sendo desejo de muitos consumidores da emergente classe chinesa que quer gastar o dinheiro para ostentar marcas e ganhar status na sociedade. "Um típico consumidor de luxo chinês pensa hoje: Eu não posso comprar Vuitton, eu já vi muito isso. Virou marca de secretária", afirmou ao Business Insider. 

O autor avalia que a grife francesa é um grande negócio da China desde 2003, ano em que atingiu o pico de vendas no Japão. Mas os consumidores comportaram-se diferentes nos dois país. Enquanto no Japão, eles pareciam menos preocupados em a marca bater o 'mainstream', ou seja virar moda e aparecer em todos os lugares, a elite chinesa se comportou diferente. "Os japoneses compram produtos de luxo para usar, enquanto os chineses querem se exibir", afirmou Rambourg. A tendência agora dessa elite da china, avalia o autor, é abandonar a Louis Vuitton e marcas que já 'se pode ver em todo lugar', por produtos ainda mais caros ou feitos sob medida. 

"Eu não vejo ninguém carregando Gucci ou uma Louis Vuitton", disse Sara Hane Ho, fundadora da escola de etiqueta Institute Sarita ao Business Insider. "Meu clientes são sofisticados. Meus estudantes são pessoas que estavam comprando uma bolsa Hermes há 10 anos e preferem hoje padrões mais elevados que essas marcas".

Uma bilionária chinesa concorda com ele. Segundo o Business Insider, ela afirmou que a grife francesa tornou-se "ordinária". "Todo mundo já tem um. Você uma bolsa dessa em qualquer restaurante da China. Eu prefiro Chanel ou Bottega Veneta agora. São mais exclusivas" 

O fato de haver tantas bolsas falsas ou que imitam a grife francesa na China não ajudou a empresa nesse sentido. Além disso, segundo o autor, a marca tem despertado interesse da classe que ascende economicamente e de jovens trabalhadores que querem gastar seu dinheiro comprando algo que tenha "símbolo de status".

Em termos de vendas, o novo consumidor não prejudica a Louis Vuitton – mas em termos de marketing, a marca parece cada vez mais se afastar daquilo que define como seu público alvo. "Não é ruim vender para esses novos consumidores porque temos que levar em conta que a classe média da China pode ser o mercado com maior potencial do mundo. O desafio é como a empresa vai conseguir, ao aproximar-se desses consumidores, trazer de volta os mais ricos". 

 

Revista Época Negócios