Líder opositor e ex-vice-premiê da Rússia é assassinado em Moscou

By | 28/02/2015
Russos homenageiam Nemtsov, opositor russo assassinado (Foto: Agência EFE)

O ex-vice-primeiro-ministro da Rússia e líder da oposição extraparlamentar, Boris Nemtsov, foi assassinado nesta sexta-feira (28/02) em Moscou após receber pelo menos quatro disparos nas costas, confirmaram autoridades do país. O veterano político, número dois do governo russo em 1998, durante a presidência de Boris Yeltsin, foi baleado dentro de um carro branco quando passava pela chamada Grande Ponte de Pedra, a poucas centenas de metros do Kremlin, acompanhado de uma jovem procedente da Ucrânia, informaram as agências russas.

"Foram realizados vários disparos. No local foram encontradas seis cápsulas de projétil de bala. Infelizmente, quatro atingiram seu alvo", disse a porta-voz do Ministério do Interior russo, Elena Alexeyeva. O presidente russo, Vladimir Putin, não demorou a afirmar que o crime reúne todas as características de um assassinato por encomenda e assumiu pessoalmente o controle sobre a investigação de suas circunstâncias, informou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

"O chefe de Estado ordenou aos chefes do Comitê de Instrução, do Ministério do Interior e do Serviço Federal de Segurança (FSB, antigo KGB) criar um grupo de investigação e acompanhar pessoalmente o andamento das investigações", acrescentou Peskov.

"Foi assassinado um oponente pessoal de Vladimir Putin", declarou o líder do partido opositor Yabloko, Sergei Mitrojin, que qualificou o crime de "ato terrorista" e exigiu às autoridades que encontrem os responsáveis pela morte de Nemtsov para evitar qualquer suspeita.

O ministro do Interior russo, Vladimir Kolokoltsev, se deslocou ao local do assassinato, onde conversou com os parentes do político. O advogado do opositor, Vadim Projorov, comentou há vários meses que Nemtsov havia sido ameaçado de morte nas redes sociais.

Por enquanto, o Comitê de Instrução trabalha com vários cenários, entre eles o assassinato por encomenda motivado pela atividade política da vítima, declarou a porta-voz do órgão judicial russo, Yulia Ivanova.

O assassinato aconteceu a menos de dois dias da passeata de protesto antigovernamental convocada para este domingo na capital russa, na qual a oposição pretende exigir que o Kremlin ponha fim à ingerência nos assuntos da vizinha Ucrânia.

Revista Época Negócios