Levy quer cortar R$ 80 bilhões em despesas, diz Renan Calheiros

By | 24/02/2015
Ministro Joaquim Levy com integrantes do PMDB (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse nesta terça-feira (24/02), que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, falou em um corte de despesas no valor de R$ 80 bilhões durante o jantar de segunda-feira à noite (23), no Palácio do Jaburu, residência oficial do vice-presidente da República e presidente do PMDB, Michel Temer, do qual participaram, além da cúpula do PMDB, integrantes da equipe econômica do governo e o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante. O comentário de Renan, feito ontem à noite, foi confirmado por ele na manhã desta terça-feira.

Em rápida entrevista no momento em que chegava ao Senado hoje, Renan confirmou o valor do corte sem, contudo, detalhar como ele será feito, se no orçamento ou em outro tipo de despesa. "O ministro falou em R$ 80 bilhões, mas nós temos muitas preocupações. Nós temos R$ 240 bilhões de restos a pagar", comentou.

Segundo relatos de peemedebistas que participaram do jantar, Joaquim Levy teria destacado a importância do contingenciamento de despesas após a aprovação do Orçamento, prevista para as próximas semanas. Ele frisou que o valor será calculado com "cuidado" e "sensibilidade", embora, segundo duas fontes relataram à reportagem, não tenha antecipado um número.

Críticas
A presença do ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, no jantar realizado nesta terça-feira (23) serviu de brecha para os peemedebistas externarem as queixas sobre a relação política com o Palácio do Planalto.

Anunciado publicamente, o encontro, ocorrido no Palácio do Jaburu, residência oficial do vice-presidente da República, Michel Temer, inicialmente era para ter apenas a presença de representantes da área econômica, tendo à frente o ministro da Fazenda, Joaquim Levy. O ministro foi convidado para explicar a necessidade da aprovação do ajuste fiscal encaminhado ao Congresso.

A participação de Mercadante foi comunicada apenas quando todos os lugares à mesa do jantar já estavam marcados. A presença dele abriu espaço, então, para que a discussão também se encaminhasse para o campo político. Coube ao grupo do Senado abrir a rodada de críticas da relação com o governo.

PMDB afirma que apoiará MP's trabalhistas e ajuste fiscal

Os senadores Romero Jucá, o líder do PMDB, Eunício Oliveira, e o presidente da Casa, Renan Calheiros, se queixaram, um após o outro, de o partido ser procurado pelo Palácio do Planalto apenas em momentos de incêndio como agora na discussão da votação das duas Medidas Provisórias em que constam o pacote fiscal.

Segundo relatos de alguns peemedebistas presentes, por parte da Câmara, o líder do PMDB, Leonardo Picciani, ressaltou o ambiente adverso ao governo dentro da Casa e reforçou que o atual modelo de parceria adotado pelo governo está esgotado. Também sobraram críticas para o fato de nenhum peemedebista fazer parte do chamado núcleo duro do governo, integrado apenas por petistas. Esse fato já foi externado por Eunício Oliveira, que vê neste impasse um 'dificultador' para indicar um nome para assumir o posto de líder do governo no Senado. Por ter a maior bancada da Casa, cabe, em tese, aos peemedebistas definir o indicado.

Como resposta, Mercadante disse, segundo alguns dos presentes no jantar, que um encontro com a presidente Dilma Rousseff deverá ser agendado nos próximos dias com a participação da cúpula do PMDB. Apesar da saia justa no campo político, os relatos são de que, para a maioria dos integrantes da cúpula do partido, ficou clara a necessidade de se apoiar as medidas de ajustes enviadas para votação no Congresso. Entre os apoiadores estaria até o desafeto de Dilma, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Revista Época Negócios