Kuwait enterra vítimas de ataque

By | 28/06/2015

Kuwait. O Kuwait se prepara para enterrar neste sábado as vítimas do atentado suicida contra uma mesquita xiita ocorrido na sexta-feira, no qual 26 pessoas morreram e 227 ficaram feridas e que foi reivindicado pelo grupo Estado Islâmico (EI).

O ministério do Interior informou que o atentado constitui um dos piores ataques a atingir este pequeno emirado, que também nunca havia sofrido um atentado contra uma mesquita.

Em um balanço anterior, as autoridades haviam informado de que havia 27 vítimas fatais, mas contavam também com o suicida. O ataque ocorreu na mesquita de Al-Imam al Sadeq, na capital do emirado, durante a oração semanal, na segunda sexta-feira do mês do Ramadã.

Também neste sábado, milhares de turistas se preparavam para deixar a Tunísia, um dia após um sangrento atentado reivindicado pelo grupo jihadista contra um hotel que deixou 38 mortos, em sua maioria britânicos. Entre os mortos, dez cadáveres haviam sido identificados – oito britânicos, uma belga, um alemão – segundo o ministério da Saúde, que informou sobre 39 feridos, especialmente britânicos, alemães e belgas.

Na França, o suspeito de ter realizado também na sexta-feira um atentado na região de Lyon (centro-leste) e de ter decapitado seu chefe continuava sendo interrogado neste sábado pelos investigadores, que tentavam encontrar eventuais cúmplices.

Luto nacional

No Kuwait, o governo decretou neste sábado dia de luto nacional e colocou as forças de segurança em alerta máximo. As autoridades da mesquita indicaram em um comunicado que os mártires da tragédia serão enterrados no cemitério xiita, no oeste da capital, às 16h locais (10h de Brasília).

A Grande Mesquita sunita receberá durante três dias as pessoas que quiserem expressar suas condolências, em um gesto de solidariedade com a comunidade xiita, que representa um terço da população. O emir, o xeque Sabah al-Ahmad al-Sabah, o governo, o parlamento, os partidos políticos e as autoridades religiosas concordaram ao apontar que este ataque tem por objetivo atiçar as tensões entre as diferentes confissões no país, majoritariamente sunita.

Estado Islâmico

O grupo EI, uma organização que interpreta a concepção sunita de um ponto de vista radical, considera os xiitas como hereges. No fim de maio, o emir do Kuwait havia convocado os países muçulmanos a intensificar a luta contra o extremismo, durante uma conferência dedicada a coordenar os esforços contra os grupos jihadistas.

Por sua vez, clérigos muçulmanos condenaram os ataques terroristas ocorridos na França, Tunísia e no Kuwait, que provocaram mais de 60 mortes, incluindo turistas. A Al-Azhar, principal instituição sunita de interpretação do Alcorão, sediada no Cairo, considerou que os disparos "hediondos", que resultaram na morte de pessoas em uma estância turística na costa da Tunísia, constitui uma "violação de todas as normas religiosas e humanitárias". "A Al-Azhar apela à comunidade internacional para empenhar todos os esforços na luta contra esse grupo terrorista", informou comunicado, referindo-se ao EI.


Internacional