Juros para pessoas físicas atingem maior patamar desde março de 2011

By | 26/02/2015
dinheiro, real, moeda, inflação, crédito, juros, impostos (Foto: Thinkstock)

A taxa média de juros para pessoas físicas com recursos livres (quando os bancos têm autonomia para aplicar o dinheiro) alcançou 52,6% ao ano em janeiro de 2015. A taxa subiu 2,5 pontos percentuais em relação à de dezembro e 6,9 pontos percentuais em 12 meses. O patamar de janeiro é o maior desde o início da nova série histórica do Banco Central (BC), em março de 2011. Antes, a maior taxa de juros, de 51,25% ao ano, foi registrada em outubro de 2011. O BC revisou as séries históricas relativas aos juros em função de uma mudança de metodologia.

A principal alteração com a nova metodologia para o cálculo é a introdução dos juros do cartão de crédito, que ficaram em 73,3% ao ano. Os juros para a modalidade subiram 2,7 pontos percentuais em janeiro na comparação com dezembro de 2014, e 7,7 pontos percentuais em 12 meses. Os juros do cartão são divididos entre crédito rotativo e crédito parcelado.

Com relação à taxa específica do crédito rotativo no cartão, os juros atingiram em janeiro 334% ao ano, crescendo 2,4 pontos percentuais sobre dezembro e 24,5 pontos percentuais em 12 meses. O patamar alcançado só foi inferior aos 334,29% ao ano alcançados em junho de 2012. Para o crédito parcelado no cartão de crédito, os juros ficaram em 106,7% ao ano, um aumento de 2,6 pontos percentuais em relação a dezembro do ano passado e 0,2 ponto percentual em um período de 12 meses.

Os juros do cheque especial ficaram em 208,7% ao ano, alta de 7,7 pontos percentuais no mês e 54,6 pontos percentuais em 12 meses. O patamar atingido em janeiro é o maior desde abril de 1996, quando os juros da modalidade alcançaram 212,26% ao ano.

O chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, admitiu que houve aumento "em praticamente todas as modalidades de taxas de juros". Segundo ele, o movimento pode ser relacionado ao ciclo de política monetária, ou seja, à política de elevação da Selic, taxa básica de juros da economia, adotada nos últimos meses pela autoridade monetária. "É possível [também] que parte da alta de juros reflita mudanças anunciadas nas taxas em programas no âmbito do BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social]", acrescentou.

A taxa média de juros do crédito direcionado, que segue regras do governo, ficou em 8,2% ao ano em janeiro para pessoas físicas, avançando 0,3 ponto percentual sobre dezembro, e em 8,5% ao ano para pessoas jurídicas, com acréscimo de 0,9 ponto percentual no mês.

O BC informou ainda que o mês de janeiro registrou queda na inadimplência das pessoas físicas. O indicador relativo aos débitos com recursos livres ficou em 5,4%. Em dezembro, o percentual chegou a 5,5%. O patamar atingido no mês passado é o menor desde o início da série histórica, em março de 2011.

Inadimplência em janeiro fica em 4,5%
A média diária de concessões de crédito livre caiu 10,2% no mês de janeiro em relação a dezembro de 2014, para R$ 12,6 bilhões, segundo o Banco Central. A alta nos últimos 12 meses até janeiro, é de 5,4%. No crédito direcionado, a média despencou 36,9% na comparação mensal, levando à alta de 12 meses para 4,4%. Esse montante do crédito direcionado somou R$ 1,8 bilhão no mês passado. Quando se junta o crédito livre mais o direcionado, houve recuo de 14,7% em janeiro e alta de 5,2% em 12 meses até janeiro. O total das concessões diárias ficou em R$ 14,4 bilhões em janeiro.

A taxa de inadimplência no crédito livre ficou em 4,5% em janeiro, segundo o BC. Pela série atualizada hoje pela instituição, com novas informações sobre o segmento de cartão de crédito, o aumento na margem foi de 0,1 ponto porcentual. Considerando a nova metodologia, a taxa de inadimplência passou de 4,4% em dezembro do ano passado para 4,5% em janeiro. Pela série anterior, o dado de dezembro estava em 6,5%.

Para pessoa física, o calote diminuiu na margem de 5,5% no último mês de 2014 para 5,4% no primeiro de 2015. No caso das empresas, subiu de 3,4% para 3,5% de um mês para o outro. A inadimplência do crédito direcionado avançou de 1,0% em dezembro para 1,1% em janeiro deste ano. O dado que considera crédito livre mais direcionado mostra inadimplência de 2,9% no mês passado, ante 2,8% em dezembro de 2014.

No crédito livre para pessoa física, a inadimplência no crédito pessoal passou de 3,8% em dezembro do ano passado para 3,9% em janeiro. No cheque especial, recuou de 13,8% para 13,7% na comparação mensal. Na aquisição de veículos, a taxa permaneceu em 3,9% de dezembro para janeiro. No cartão de crédito, avançou de 7,4% para 7,5% na mesma comparação.

Saldo de crédito cai para três setores
Entre outras novidades, o Banco Central incluiu na nota mensal de crédito um quadro com o crédito do sistema financeiro separado por atividade econômica. Houve queda nos três setores: agropecuária, indústria e serviços.

O crédito para o setor de serviços ficou em R$ 797,491 bilhões em janeiro e teve uma queda de 1,1% na comparação com dezembro. Dentro desse setor, o comércio puxou a queda, com retração de 3,3% no período e ficou em R$ 297,171 bilhões em janeiro. Em transporte, ficou estável, com R$ 155,183 bilhões. Na administração pública, houve alta de 0,1% para R$ 99,233 bilhões. A categoria "outros" subiu 0,6% para R$ 245,950 bilhões.

Para a indústria, o crédito recuou 0,9% em janeiro, na margem, para R$ 730,214 bilhões. O segmento que mais foi prejudicado foi o da construção, com queda de 2,1%, com um total de R$ 113,683 bilhões. A indústria de transformação recuou 1,7% para R$ 439,126 bilhões. Já os serviços industriais de utilidade pública (SIUP) registraram aumento do crédito de 0,5% no mês passado, para R$ 140,808 bilhões. No caso da extrativa, houve uma alta de 6,8% em janeiro, para R$ 36,597 bilhões.

Para o setor agropecuário, o crédito minguou 0,7% em janeiro ante dezembro e ficou em R$ 22,573 bilhões. Além dos três setores, o Banco Central registrou queda de 2,8% em janeiro no estoque de crédito para pessoa jurídica com sede no exterior e créditos não classificados para R$ 37,359 bilhões.

Revista Época Negócios