Juiz descarta acusação contra Cristina

By | 27/02/2015

Buenos Aires. Um juiz argentino descartou a acusação feita por promotores federais de que a presidente Cristina Kirchner conspirou para acobertar o suposto papel do Irã no atentado de 1994 a uma entidade judaica, informou o judiciário do país em um comunicado ontem.

O juiz Daniel Rafecas decidiu "não dar continuidade" ao caso, retomado no início deste mês, depois que o promotor encarregado, Alberto Nisman, foi encontrado morto com um tiro em 18 de janeiro em circunstâncias misteriosas que desencadearam um tumulto político e levaram a uma reforma na agência de espionagem argentina.

"Os indícios colhidos estão longe de cumprir os critérios mínimos", informou uma declaração do Centro de Informação Judicial, a agência de notícias do judiciário.

O promotor Gerardo Pollicita deu sequência à investigação de Nisman para descobrir se Cristina dificultou o inquérito sobre o atentado para assegurar um acordo de troca de grãos por petróleo com Teerã. A presidente argentina classifica as alegações como "absurdas".

Pollicita deve apelar da decisão de Rafecas de não prosseguir com a investigação. O Irã vem negando repetidamente seu envolvimento no ataque à Associação Mutual Israelita Argentina (Amia) em Buenos Aires, que deixou 85 mortos.

Troca em gabinete

Cristina Kirchner nomeou, ontem, o secretário-geral da Presidência, Aníbal Fernández, para substituir Jorge Capitanich como chefe de gabinete.

A saída de Capitanich era esperada desde o início da semana. Segundo o jornal "La Nación", ele esperava que a presidente o afastasse para poder voltar ao governo da província do Chaco afim de tentar recuperar a liderança em sua base eleitoral.

Para o lugar de Aníbal, a mandatária indicou Eduardo "Wado" de Pedro, um dos principais dirigentes do La Cámpora, principal grupo de apoio ao governo.

A troca mostra que Cristina deve radicalizar sua defesa no governo nos últimos meses de mandato.

Também ontem a Câmara dos Deputados da Argentina aprovou o projeto de lei que cria uma nova agência de inteligência, depois dos questionamentos ao serviço de espionagem provocados pela misteriosa morte de Alberto Nisman.

Com 131 votos a favor e 71 contrários, a Câmara aprovou o projeto do governo que propõe a dissolução da Secretaria de Inteligência (SI) e sua substituição pela Agência Federal de Inteligência (AFI).

Kirchner enviou no mês passado o projeto de reforma ao Congresso – onde o governo tem maioria -, após a morte de Nisman, encontrado em seu apartamento de Buenos Aires com um tiro na cabeça em 18 de janeiro.

O ponto que gerou mais polêmica no debate estabelece que a Direção de Observações Judiciais, departamento responsável por escutas telefônicas, ficará sob o comando da Procuradoria Geral da Nação, hoje sob responsabilidade de Alejandra Gils Carbó, que a oposição acusa de obedecer ao governo.

A reforma do serviço de inteligência argentino era exigida pela oposição, mas foi criticada por tirar o foco da morte de Nisman.

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