Joaquim Barbosa rebate críticas e diz que recebia advogados ‘às centenas’

By | 20/02/2015

O ex-ministro do Superior Tribunal Federal (STF) rebateu as críticas a seus comentários sobre o encontro que advogados que defendem investigados na Operação Lava-Jato tiveram com o ministro da Justiça, Eduardo Cardozo.

"Incrível como torcem e retorcem o que eu digo! O objetivo é claro: desviar a atenção da essência daquilo que foi objeto do meu comentário. S [sobre] o q [que] eu falei? S [sobre] matéria jornalística em que se relatava uma tentativa de interferência da Política em assunto ‘jurisdicionalizado’. Só", afirmou, em sua conta no Twitter, nesta quinta-feira (19).

Na terça-feira (17), Barbosa disse que quando um advogado recorre a políticos para resolver problemas judiciais, seu objetivo é corromper a Justiça.

"Se você é advogado num processo criminal e entende que a polícia cometeu excessos/deslizes, você recorre ao juiz. Nunca a políticos!", escreveu. "Os que recorrem à política para resolver problemas na esfera judicial não buscam a Justiça. Buscam corrompê-la. É tão simples assim."

Em artigo publicado na Folha de S.Paulo desta quinta, a advogada Dora Cavalcanti Cordani, que defende a Odebrecht, afirmou que o comentário do ex-presidente do STF e relator do mensalão "não chega a surpreender dado o histórico do ex-presidente do Supremo, avesso ao direito de defesa, nele incluídos os advogados e sua obrigação profissional de zelar pelo respeito às garantias individuais do cidadão".

Ela afirmou que se encontrou com Cardozo para entregar petição contra o vazamento de informações no âmbito da Lava-Jato.

Na quarta (18), o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Marcus Vinícius Furtado Coêlho, defendeu os "direitos e prerrogativas" de advogados serem recebidos pelo ministro da Justiça, mas ponderou que a audiência precisa ser "transparente" e "pública".

"Não pode ser uma seleção deste ou daquele advogado. Tem que ser realmente uma questão aberta, impessoal, independente do caso que isso envolver", afirmou Furtado.

No Twitter, Barbosa disse que passou-se a falar que ele não recebia advogados enquanto era ministro do STF. "Recebi-os às centenas! Mas informava a parte contrária, para que ela pudesse estar presente, se quisesse", afirmou.

O ex-ministro afirmou que o processo judicial tem de ser transparente e dar igualdade de chances às partes. "No processo judicial não devem existir encontros ‘en catimini’, às escondidas, entre o juiz e uma das partes. Igualdade de armas é o lema."

Barbosa citou ainda que, durante o mensalão, foi procurado por Márcio Thomaz Bastos, que defendia um dos réus do processo do qual foi relator, e que o recebeu na presença do procurador-geral da República. À época do mensalão, o procurador era Roberto Gurgel.

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