Itens básicos apertam bolso do consumidor

By | 28/02/2015

Mal começou o ano e o orçamento familiar já está sendo corroído pela inflação de itens essenciais para a alimentação. Entre os meses de janeiro e fevereiro, houve aumento no valor de 11 dos 20 itens em pelo menos um dos supermercados pesquisados pela reportagem do Diário.

A alta de preços chegou a 110,67%, no caso do tomate. Dando continuidade à série Dança dos Preços – que acompanha, mês a mês, os valores de alimentos e produtos de higiene em três estabelecimentos supermercadistas da capital cearense – foram consultados preços nas últimas terça-feira (24) e quarta-feira (25) e comparados com os que haviam sido obtidos dos mesmos itens nos dias 27 e 28 de janeiro último.

O levantamento constatou que um mesmo alimento pode ter altas e baixas em diferentes estabelecimentos, o que reforça a necessidade de se pesquisar os preços. O tomate, por exemplo, em um dos supermercados teve queda de valor de 10,06%.

Entretanto, nas outras duas lojas pesquisadas, houve aumentos de 35,47% e 110,67% no preço da hortaliça. Isso significa dizer que há um mês o valor do quilo do alimento custava R$ 1,78 em um dos estabelecimentos e saltou para R$ 3,75 no mesmo local, no período. "Mais de 90% do abastecimento de tomate da Capital vem da Serra da Ibiapaba, que está com uma falta de água grave. Muitos produtores estão deixando de cultivar tomate para plantar outras hortaliças que precisa de menos água", explica o economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Reginaldo Aguiar.

O especialista acrescenta que, por ser altamente perecível, o tomate muitas vezes tem de ser vendido rapidamente e isso acaba interferindo em mudanças bruscas nos valores praticados pelos varejistas. "Esse é o item que mais oscila de preço", diz.

Vilão

O feijão carioca da marca Kicaldo foi outro vilão deste mês. O alimento foi o único dentre todos os itens pesquisados que teve seu valor aumentado nos três supermercados, deixando o consumidor praticamente sem escapatória. A alta no preço chegou a 18,8% em um dos estabelecimentos. No final de janeiro, o pacote de 1kg da leguminosa havia custado R$ 4,20. Nesta semana, a reportagem encontrou o alimento sendo vendido por R$ 4,99 no mesmo local.

Aguiar ressalta que a elevação nos valores seria explicada porque a marca Kicaldo pode estar sendo bastante demandada pelo consumidor. O economista destaca que, de acordo com as pesquisas do Dieese, a tendência é de que o feijão apresente queda a longo prazo, pois vem aumentando a área de plantio da leguminosa nas regiões que abastecem o Ceará, como Irecê, município localizado na Bahia.

Os preços das carnes, segundo o economista, são os que devem aumentar intensamente nos meses seguintes, embora tenham apresentado estabilidade ou queda entre janeiro e fevereiro. O valor do quilo da alcatra permaneceu estável em dois dos supermercados pesquisados e teve retração de 7,14% em outra loja entre janeiro e fevereiro. O preço do quilo do coxão mole também não sofreu variações em duas lojas neste período e subiu apenas 0,41% em outro supermercado.

Quedas

Dentre os preços que sofreram queda no período, vale destacar o da batata-inglesa. O tubérculo teve retração de até 25,21% em seu valor e foi o único item da pesquisa que registrou baixas nos três supermercados. A maçã nacional também ficou mais barata neste mês, tendo baixa de até 25,21% no preço.

O papel higiênico Floral, o sabonete Lux e o macarrão spaghetti com ovos Fortaleza foram os únicos dentre os 20 produtos levantados que apresentaram estabilidade de preços em todos os estabelecimentos consultados.

Murilo Viana
Repórter

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