IPO da Caixa deve ser acelerado

By | 09/02/2015

Brasília O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, quer acelerar a abertura da capital da Caixa Econômica Federal (CEF). O Ministério da Fazenda avalia que é possível concluir o processo ainda neste ano. O dinheiro levantando com a operação ajudaria a reforçar as contas governo neste ano, num momento em que a equipe econômica enfrenta dificuldade ainda maior para cumprir a meta de superávit primário fixada para este ano em R$ 66,3 bilhões, equivalente a 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB).

O Tesouro Nacional tem 100% do capital do banco. Depois desse início de ano difícil por conta do impacto da operação Lava-Jato, que investiga corrupção na Petrobras, a avaliação é de que o cenário vai desanuviar a partir do segundo semestre com os primeiros resultados do trabalho de ajuste e busca de confiança tocado por Levy.

Outra possibilidade considerada pelo governo é "fatiar" a oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) do banco estatal, segundo fontes da equipe econômica. Neste caso, uma das áreas avaliadas é a de seguros. Fontes na Fazenda ressaltam o sucesso da abertura de capital da BB Seguridade. Feito em abril de 2013, o IPO da BB Seguridade arrecadou R$ 11,5 bilhões – o maior volume atingido por uma empresa brasileira desde 2009. A ideia é repetir esse mesmo sucesso com a Caixa Seguradora, união entre a Caixa e a francesa CNP Assurances.

Loterias

A área de loterias também é considerada atraente para ser vendida separadamente. O próprio banco estatal encomendou estudos internacionais de viabilidade desse projeto. Mas há uma questão: para repassar os jogos lotéricos à iniciativa privada é preciso alterar a legislação, o que depende do Congresso Nacional. No banco, uma corrente majoritária defende a abertura de capital de forma unificada. A vantagem, neste caso, seria a atratividade da primeira oferta. "O que certamente dá para fazer é avançar bastante no processo a ponto de torná-lo irreversível para 2016", disse uma fonte.

Governança

Joaquim Levy tem interesse não apenas no reforço do caixa, mas na melhora da governança do banco estatal, o que contribuiria para a estratégia da atual política econômica de menor ingerência política nos bancos públicos e mais transparência. Aliado a isso, o governo fechou o caixa do Tesouro Nacional e não deve injetar mais recursos públicos nas instituições financeiras.

O IPO reforçaria as contas do governo e é considerada estratégica como fonte de recursos do banco para manter a concessões de empréstimos e financiamentos. No mercado, a operação é vista como positiva, mas de execução difícil, principalmente em um ano de dificuldades e de desdobramentos da Lava-Jato.

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