Hong Kong mostra potencial de negócios

By | 27/02/2015

Empresários da China estão vendo no Ceará uma grande oportunidade para estreitar os laços econômicos com o Brasil. Na região Nordeste, o Estado é considerado um dos que tem maior potencial para gerar negócios com o país asiático, em diferentes segmentos da indústria. Ganham destaque os setores da construção civil, energias renováveis, fruticultura, frutos do mar e têxtil, por exemplo.

"Precisamos abrir a cabeça do empresariado cearense para considerar a China como uma ótima opção de mercado, incentivando-os a participar de feiras de negócios. O Ceará tem tudo para chamar ainda mais a atenção da China", afirma o executivo de contas do Invest Hong Kong, Luiz Felipe Pessoa.

Ele proferiu palestra durante o Seminário Brasil X Hong Kong, realizado ontem na sede da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec). O evento, que teve o apoio do Centro Internacional de Negócios do Ceará (CIN/CE), também contou com representantes do Hong Kong Trade Development Council.

Balança

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) revelam que, do total de US$ 1,4 bilhão exportado pelo Ceará em 2014, US$ 61,2 (4,4%) milhões foram referentes a produtos vendidos para a China, o sexto maior comprador do Estado no ano passado.

Já no que se refere às importações, o Estado comprou de outros países o equivalente a US$ 3 bilhões no último ano, sendo US$ 721,4 (24%) da China, que foi o principal fornecedor do Ceará em 2014. De acordo com Luiz Felipe, é preciso projetar o Nordeste para o mercado chinês, que, na prática, não conhece as oportunidades econômicas que a região oferece. Por conta disso, os empresários costumam ficar restritos ao Sudeste, nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, para captar negócios.

"O que nos impulsionou a vir ao Nordeste foi a economia pujante da região, que há anos vem crescendo acima da média nacional. E o Ceará tem grande importância nesse cenário. Hoje, se paga mais ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) no Norte e Nordeste que no Sul e Sudeste", acrescenta.

Durante a palestra, o executivo falou sobre as vantagens de se fazer negócios em Hong Kong. Em 2013, por exemplo, a cidade chinesa registrou um superávit de US$ 5,3 bilhões, tendo o Produto Interno Bruto (PIB) crescido 2,9%. Naquele ano, foram criados 69,6 mil empregos, e a taxa de desemprego fechou em 3,3%. A cidade ainda é classificada como a economia mais livre do mundo, sendo a 9ª maior para se fazer negócios.

Visibilidade

Na China, segundo informa, são as empresas de pequeno e médio porte que têm maior visibilidade no mercado. Daí a importância do trabalho para consolidar essa ponte entre industriais cearenses e chineses.

"Saímos do Seminário Brasil X Hong Kong com uma imagem muito positiva da economia do Ceará, falando sobre a necessidade das empresas daqui se lançarem com mais urgência ao mercado da China", destaca o executivo Luiz Felipe.

Delegações

De acordo com ele, a partir do evento de ontem, ficou acertado que delegações chinesas, formada por empresários e órgãos governamentais de Hong Kong, virão ao Ceará no segundo semestre deste ano.

"O grande segredo para obter sucesso com o empresariado chinês é valorizar o contato, o relacionamento", conclui, falando sobre os subsídios oferecidos nas relações comerciais como forma de incentivar os negócios.

Sobre as instituições

O Hong Kong Trade Development Council é uma parceria público-privada que auxilia empresas do mundo todo a entrar em contato com fornecedores de Hong Kong, com mais de 40 escritórios em diversos países. Divulga feiras ligadas aos setores como moda, joalheria, acessórios de informática, entre outros. Também organiza missões para empresas interessadas em participar das feiras e reuniões com fornecedores escolhidos.

Já o Invest Hong Kong é uma agência pública cujo objetivo é auxiliar empresas a se expandirem para a Ásia, utilizando Hong Kong como base.

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