Hereda considera IPO da Caixa neste momento ‘sem sentido’

By | 13/02/2015
Jorge Hereda  (Foto:  Luiz Prado/ Imprensa CEF)

O atual presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Hereda, não vê sentido fazer a abertura de capital neste momento. "É um passo que precisa de muita discussão. Se tomarmos decisão de última hora podemos nos arrepender de abrir capital", afirmou ele, na manhã desta quinta-feira (12/02).

Hereda afirmou que, pessoalmente é "contra" a abertura de capital do banco. "precisamos de uma instituição 100% pública", disse Hereda, acrescentando que há grande possibilidade de que IPO não aconteça neste momento.

Segundo ele, seguros é uma oportunidade que deve ser trabalhada e que, eventualmente, a Caixa pode discutir a abertura de capital da sua seguradora. Hereda explicou que a decisão ainda não foi tomada. Sobre o assunto já ter sido discutindo com os sócios franceses, a CNP, ele afirmou que o entendimento entre ambos é da possibilidade de aumentar a participação de seguros. "Faz sentido abrir capital da seguradora. Queremos aumentar os negócios de seguros".

Miriam Belchior
Hereda afirmou que a transição do comando do banco para a ex-ministra Miriam Belchior será "muito tranquila". "A transição está acontecendo e será muito tranquila até porque Miriam é minha amiga de longa data", disse ele. De acordo com Hereda, a mudança na presidência da Caixa será publicada no Diário Oficial da União (DOU) no próximo dia 23. Sobre essa troca, ele disse que ajustes são comuns, descartando alguma insatisfação por parte da presidente Dilma Rousseff com sua atuação no banco.

Transparência
Hereda disse que o banco não precisa passar por um processo de saneamento e tem transparência compatível com sua atividade. A resposta foi a um questionamento, durante coletiva de imprensa, sobre o pronunciamento de Dilma Rousseff, feito em dezembro último, de que o banco precisaria passar por um processo de saneamento em preparação para a abertura de capital.

"Nosso balanço está aqui. Não vejo motivo para ter saneamento na Caixa. O que eu acho que a presidenta quis dizer foi que, para abrir capital, é preciso cumprir algumas exigências para isso e pode ser necessária alguma adaptação na Caixa de governança ou de qualquer procedimento para o IPO", explicou Hereda.

Lava Jato
A Caixa Econômica Federal tem entre cerca de 1,5% e 2% da sua carteira total de crédito de exposição a empresas envolvidas na Operação Lava Jato, que investiga denúncias de corrupção e cartel na Petrobras, de acordo com Hereda.

Essa fatia, conforme ele, além de ser "pequena" está em linha com a apresentada por outras instituições bancárias. "A maioria esmagadora desse crédito é project finance, com projetos específicos, blindados com garantias. Temos acompanhando (a Operação Lava Jato) com muita atenção, mas achamos que impacto para a Caixa não é significativo, é nada. Não tivemos impacto", disse Hereda.

Agradecimento
Ele aproveitou a coletiva de imprensa dos resultados de 2014 da Caixa para agradecer aos funcionários do banco, à Dilma e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Tenho gratidão muito grande pela presidenta Dilma que me proporcionou essa oportunidade de ter tido uma experiência maravilhosa na Caixa. Tenho dez anos aqui e foi o maior privilégio e honra da minha vida", disse Hereda. "Devo tudo isso à presidenta Dilma e ao Lula. Agradeço muito essa oportunidade que me deram", concluiu.

 

Revista Época Negócios