Governo tenta trazer PMDB de volta à base aliada

By | 20/02/2015
Eduardo Cunha, líder do PMDB na Câmara (Foto: Agência Brasil)

 

Nas vésperas da efetiva retomada dos trabalhos no Congresso, com uma presidência da Câmara hostil ao Planalto e uma pauta bomba para ser votada que inclui derrubada do veto à correção da tabela do imposto de renda em 6,5%, início de votação de medidas trabalhistas e começo de funcionamento da CPI da Petrobras, o Palácio do Planalto deu início a vários gestos para tentar atrair o PMDB rebelado de volta à base aliada.

O principal deles será um jantar do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, com os ministros do PMDB e lideranças do partido na Câmara e no Senado, que já foi marcado pelo vice-presidente Michel Temer, no Palácio do Jaburu, na segunda à noite, dia 23. Neste encontro, Levy vai tentar mostrar aos ministros peemedebistas que eles precisam convencer os parlamentares de seu partido que as medidas de ajuste encaminhadas ao Congresso precisam ser aprovadas porque "não tem dinheiro".

O PMDB, por sua vez, quer saber, diretamente de Levy, qual o verdadeiro impacto que as medidas têm nas contas públicas, qual será o cenário nos próximos meses se o Congresso não aprovar as medidas e qual será a margem de negociação que o governo trabalha.

PMDB lidera maior bancada da Câmara

Para o Planalto, no entanto, não há margem de negociação em discussão porque considera que as medidas já estão limite e que os cortes são absolutamente necessários.

"Se não aprovar, o contingenciamento vai ser de chorar", disse um ministro à reportagem, ao lembrar que as medidas provisórias representam uma economia de quase R$ 20 bilhões que o governo precisa fazer e que se as MPs não forem aprovadas, os recursos serão cortados de outro lugar ou programas. "As medidas que envolvem o seguro desemprego, a pensão por morte ou abono salarial são só o começo. O governo precisa apertar muito mais", emendou o ministro avisando que "não tem dinheiro" e que "não há como fazer mágica". Ele lembrou que desde o início Levy falou que é preciso instituir um corte de R$ 66 bilhões, pelo menos, e que, se não se chegar a isso, vai ter de tirar de algum lugar.

Preocupações
As preocupações com o PMDB, que já mandou recado de que vai derrubar o veto de Dilma ao reajuste de 6,5% do IR, além dos problemas do governo e dos petistas com Michel Temer, foram discutidas na reunião de coordenação política desta sexta-feira (20/02).

Há quem aposte que o IR não entra na pauta na semana que vem e que é possível reverter este clima de animosidade com o Congresso. Mas não é isso que o PMDB apontou. Um dos integrantes do G-6, grupo dos seis ministros que integra a coordenação política, aposta que o deputado Eduardo Cunha vai chegar a um bom termo com o Planalto, embora reconheça que, isso não será sem criar muitas dificuldades para a presidente Dilma. "Estamos em um regime presidencialista. Da mesma forma que a presidente Dilma tem de conviver com o deputado Eduardo Cunha, Eduardo Cunha tem de conviver com a presidente Dilma. É uma via de duas mãos", comentou um dos interlocutores da presidente.

Paralelamente à reunião de Levy com os ministros peemedebistas, o governo vai avançar nos entendimentos com o Congresso por meio das reuniões que os ministros da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e das Relações Institucionais, Pepe Vargas, querem fazer com os líderes do PMDB e dos demais partidos da base. Estas reuniões serão preparatórias para um segundo encontro, depois, destas lideranças com a presidente Dilma. Outro gesto que será feito ao mesmo tempo para tentar aproximação do Planalto com o Congresso é a ida dos ministros à Câmara para prestarem informações aos parlamentares sobre a importância das medidas provisórias encaminhadas para o ajuste das contas públicas.

Mas os problemas não se resumem à Câmara, de acordo com as avaliações do Planalto. As articulações no Senado estão preocupando bastante o governo já que o PMDB, ali também rebelado, não quer indicar nomes para a liderança. O Planalto precisa resolver isso na semana que vem para tentar diminuir os problemas de interlocução com a Casa e, neste momento, sem nome para ocupar a liderança, a tendência é que o petista Humberto Costa fique à frente desta coordenação.

Revista Época Negócios