Governo japonês estuda forçar trabalhadores a tirar férias

By | 08/02/2015
Tóquio, Japão (Foto: Wikimedia Commons)

A fama de workaholic dos japoneses é conhecida em todo mundo. A situação chegou a tal ponto que o próprio governo japonês está estudando uma medida radical: obrigar os trabalhadores a tirar férias, numa tentativa de melhorar o equilíbrio entre vida pessoal e profissional da população. Nesta semana, o jornal The Japan Times informou que a administração do atual primeiro-ministro, Shinzo Abe, estaria analisando a criação de uma lei que tornaria obrigatório os japoneses tirarem ao menos cinco dias de folga pagos todos os anos.

A legislação japonesa já garante 10 dias de folga por ano e a maioria das empresas oferece bem mais do que isso, segundo a Slate. Os japoneses simplesmente optam por não tirar essas férias. De acordo com o The Japan Times, uma pesquisa do governo mostrou que os trabalhadores "normalmente usam menos do que a metade de suas folgas por ano". A estatística é um tanto assustadora, já que no Japão quando um funcionário falta por motivo de saúde os dias são descontados de suas férias.

A batalha contra uma cultura corporativa workhalic não é nova no Japão. Muitas companhias esperam que seus funcionários façam várias horas extras, muitas vezes não remuneradas, como uma comprovação de dedicação ao trabalho, mesmo que o período adicional não seja de fato necessário. No país, existe até uma palavra para descrever o fato de alguém morrer de tanto trabalhar: karoshi. As cortes de Justiça do Japão já reconheceram o fenômeno. Embora ele esteja muitas vezes associado a ataques do coração e derrames, os efeitos psicológicos do excesso de trabalho é considerado responsável por milhares de suicídios por ano no país. 

O excesso de horas de trabalho criou um problema econômico, e também social, já que acabou expulsando as mulheres do mercado de trabalho. A quantidade de horas de dedicação esperada pelas empresas dificulta muito as mulheres a alcançarem um equílibrio entre vida profissional e pessoal. O resultado? Muitas mães acabam deixando seus empregos nos primeiros meses de vida de seus filhos. Quando voltam ao mercado, muitas vezes têm que aceitar salários menores. Ao mesmo tempo em que muitas mulheres acabam simplesmente optando por não ter filhos – o que contribui para a baixa taxa de natalidade do país.   

Revista Época Negócios