Fortuna das 62 pessoas mais ricas no mundo equivale a dinheiro de metade da humanidade

By | 18/01/2016
Rio de Janeiro Pobreza Sem-teto Morador de rua (Foto: Getty Images)

 

Um novo documento mostra que 62 pessoas no mundo possuem riqueza equivalente a 3,5 bilhões de indivíduos – ou seja, metade da humanidade. Mais: a parcela de 1% mais rica da população tem mais dinheiro do que todo o resto do mundo junto. Os números são da Oxfam, confederação de ONGs presente em 94 países, incluindo o Brasil.

Os dados serão apresentados no Fórum Econômico Mundial, em Davos, nesta quarta-feira (20/01), com o objetivo de chamar atenção para o abismo entre ricos e pobres, que chegando a novos extremos. O documento alerta que a concentração de dinheiro vem aumentando drasticamente desde 2010. No início da década, eram 388 indivíduos com a mesma proporção da riqueza de 3,5 bilhões de pessoas.

Segundo a Oxfam, a fortuna das 62 pessoas mais ricas do mundo cresceu 44% nos cinco anos desde 2010. É um aumento de mais de meio trilhão de dólares, para US$ 1,76 trilhão. No mesmo período, as riquezas da metade da população mais afetada pela pobreza caíram em pouco mais de um trilhão de dólares, 41%.

Desde a virada do século, a metade mais pobre ficou com apenas 1% do aumento total da riqueza global. Considerando somente os 10% mais pobres, o rendimento médio anual aumentou em menos de US$ 3 em quase um quarto de século – isso significa que a renda diária cresceu em menos de um centavo a cada ano.

“A crescente desigualdade econômica é ruim para todos, pois mina o crescimento e a coesão social. No entanto, as consequências para as pessoas mais afetadas pela pobreza no mundo são particularmente graves”, diz o estudo, intitulado de “Uma Economia para 1% da População Mundial”. O texto apresenta novas evidências de uma crise de desigualdade que, na avaliação da Oxfam, “saiu do controle”.

No que se refere a mudanças climáticas, a entidade também demonstrou recentemente que a metade mais pobre da população mundial é responsável por somente cerca de 10% de todas as emissões globais de gases do efeito estufa. O gasto médio de CO2 da parcela de 1% dos mais ricos pode ser até 175 vezes mais intenso.

Gênero e trabalho

O documento revela que, no setor de vestuário, muitas empresas usam sua posição dominante no mercado para continuar pagando salários miseráveis. Entre 2001 e 2011, os salários do setor na maioria dos 15 países que mais exportam artigos dessa categoria caíram em termos reais. “A aceitabilidade do pagamento de salários mais baixos a mulheres tem sido descrita como um fator essencial para aumentar o lucro dessas empresas.”

Enquanto isso, os ganhos dos diretores executivos das maiores companhias dos EUA cresceram mais da metade desde 2009, enquanto os dos trabalhadores permaneceram quase inalterados. A desigualdade também é de gênero. Mulheres ocupam apenas 24 dos cargos de diretoria executiva das empresas listadas na Fortune 500. Vale destacar: 53 das 62 pessoas mais ricas do mundo são homens.

Combate

Para a organização, apesar de o número de pessoas que vivem abaixo da linha de extrema pobreza ter caído pela metade entre 1990 e 2010, o dado não revela uma solução para o problema da fome mundial a caminho – ainda é preciso contornar a desigualdade. “Se a distância entre ricos e pobres dentro dos países não tivesse aumentado no decorrer desse período, outros 200 milhões de pessoas teriam saído da pobreza”, diz o texto documento.

A Oxfam vai apelar às lideranças no Fórum Econômico Mundial para que tomem medidas com interesse efetivo em por fim à crise da desigualdade. Como uma questão prioritária, vai sugerir um acordo entre os países para por fim à era dos paraísos fiscais.

Entre as outras sugestões, estão garantir o pagamento de melhores salários, promover a igualdade econômica das mulheres, estabelecer registros obrigatórios de atividades de lobby, separar empresas do financiamento de campanhas e priorizar políticas, práticas e gastos que aumentem o financiamento de sistemas públicos de saúde e educação.

“Desde aumentos no salário mínimo a medidas para regular mais eficazmente a evasão fiscal, há muito que os formuladores de políticas podem fazer para atenuar esse cenário e começar a construir uma economia humana que beneficie a todos”, diz Katia Maia, diretora da Oxfam Brasil, em comunicado.

Revista Época Negócios