FNE volta a ser alvo de críticas

By | 23/01/2016

O aumento da taxa de juros nas operações de créditos realizadas com os recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) voltou a ser alvo de críticas das lideranças dos setores produtivos cearenses. A alta de 71,3% nos encargos, que agora são de 14,12% ao ano, está em vigor desde o início deste ano, atendendo a uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN).

O presidente do Conselho de Economia da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), Fernando Castelo Branco, aponta o risco de deixar o recurso parado no caixa do Banco do Nordeste (BNB) – que opera o FNE – devido à baixa demanda de financiamentos por conta das taxas altas. "Isso é um risco porque o governo está com déficit, e vendo aquele dinheiro, ele pode querer usar, e já existe um projeto de emenda constitucional para pegar 30% desses fundos", pontua.

Já o presidente do Sindicato das Indústrias de Confecções de Roupas de Homem e Vestuário no Ceará (Sindroupas), Aluísio Ramalho Filho, acredita que a medida dificulta a recuperação da crise. "As empresas já estão sem fôlego por conta da retração econômica, nesse momento, a necessidade de buscar financiamento é enorme. No momento em que você espera contar com apoio ao desenvolvimento do Nordeste, as taxas aumentam desse jeito", expõe.

O presidente do Sindicato das Indústrias de Energia e de Serviços do Setor Elétrico do Estado do Ceará (Sindienergia-CE), Elias de Sousa do Carmo, prevê que a alta nas taxas deve "estacionar" os investimentos no setor. "A maioria dos investimentos em projetos de energia que nós conseguimos fazer era com os recursos do FNE, que são mais atrativos. Essa alta inviabiliza essa linha de financiamento", diz.

Para Carlos Rubens Araújo Alencar, presidente do Sindicato das Indústrias de Mármore e Granito do Ceará (Sinagran), a situação coloca em cheque o papel de fomentador do BNB. "As taxas e condições tinham que ser melhores que as dos outros bancos". Questionado sobre o assunto, o BNB informou que "não há posicionamento sobre a pauta".

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