Fim de holocausto em Auschwitz completa 70 anos

By | 28/01/2015

Auschwitz. Com novos sinais de antissemitismo na Europa como pano de fundo, sobreviventes do Holocausto e chefes de Estado se reuniram ontem em Auschwitz para proclamar um novo "Nunca mais!", 70 anos depois da libertação do campo de extermínio nazista.

As primeiras cerimônias começaram pela manhã, no imenso campo coberto com uma espessa camada de neve. Ex-prisioneiros depositaram flores e velas diante do chamado muro da morte, onde houve muitas execuções antes que os nazistas instalassem as câmaras de gás.

Na véspera, os sobreviventes, em sua maioria nonagenários, que conseguiram evitar a morte quando cerca de 1,1 milhão de pessoas – entre elas 1 milhão de judeus – foram exterminadas, pediram que o mundo faça todo o possível para evitar que o horror do Holocausto se reproduza.

Vinte dias após os atentados de jihadistas franceses contra o jornal satírico "Charlie Hebdo" e contra um mercado kosher, o presidente François Hollande, que ontem visitou o Memorial da Shoah antes de ir à Polônia, anunciou que reforçará sanções contra racismo e antissemitismo em seu país.

Alguns dos sobreviventes que se dirigem a Auschwitz enxergam um vínculo entre os atentados da França e os conflitos no Oriente Médio. "O que ocorreu na França está vinculado ao que acontece no Oriente Médio, e gostaria muito que este último problema fosse resolvido, porque penso que isso influencia o antissemitismo na Europa", declarou à AFP Celina Biniaz, uma octogenária proveniente da Califórnia (Estados Unidos).

O presidente alemão, Joachim Gauck, declarou, por sua vez, que "não há identidade alemã sem Auschwitz", insistindo que seu país tem grande responsabilidade para "proteger os direitos de cada ser humano". "Aqui na Alemanha, caminhamos todos os dias diante de casas de judeus deportados; aqui na Alemanha, onde sua aniquilação foi planejada e organizada. Aqui, o horror passado está mais perto", afirmou.

Banimento

O aumento do antissemitismo foi mencionado pelo cineasta Steven Spielberg, autor, entre outras obras, de "A Lista de Schindler", e pai da Fundação da Shoah, que registrou em imagens testemunhos de 53.000 sobreviventes do Holocausto.

Spielberg, que discursou em Cracóvia junto ao presidente do Congresso Mundial Judeu, Ronald S. Lauder, denunciou "os esforços crescentes para banir os judeus da Europa".

O tom foi o mesmo em Praga, onde o Congresso Judeu Europeu realizou cerimônia paralela com o fórum "Let My People Live" (Deixem meu povo viver). "A comunidade judaica da Europa está próxima de um novo êxodo", disse o presidente da organização, Moshe Kantor.

Além dos presidentes francês, e alemão, estiveram em Auschwitz o líder ucraniano Petro Poroshenko e autoridades russas e norte-americanas.

Obama e Putin recordam data

Washington/Moscou. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, marcou o 70º aniversário da libertação de Auschwitz advertindo contra o ressurgimento do antissemitismo e exortando o mundo a fazer com que um genocídio como este não aconteça "nunca mais".

"Os recentes ataques terroristas em Paris servem como um lembrete doloroso de nossa obrigação de denunciar e combater o crescente antissemitismo em todas as suas formas, seja através da negação ou banalização do Holocausto", disse Obama em um comunicado.

"Hoje estamos juntos e comprometidos com as milhões de almas assassinadas e todos os sobreviventes", disse.

‘História não será reescrita’

O presidente russo Vladimir Putin criticou ontem o que chamou de "tentativa de reescrever a história", ao presidir, em Moscou, um ato pelo 70º aniversário da libertação do campo de Auschwitz pelas tropas soviéticas.

"Qualquer tentativa de silenciar acontecimentos, distorcer ou reescrever a história é inaceitável e imoral", declarou Putin no Museu Judeu de Moscou. Putin não viajou à Polônia para as cerimônias deste aniversário.

No fim de dezembro, a Federação de Comunidades Judaicas da República Tcheca anunciou que se opunha a uma possível visita do presidente russo, convidado por seu colega tcheco Milos Zeman.

A federação afirmou, entre outras coisas, que o regime do presidente Putin "não respeita os acordos internacionais", enquanto o Ocidente acusa a Rússia de apoiar militarmente os rebeldes pró-russos no leste da Ucrânia.

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