Fabricantes apostam em promotores e chocolates premium para driblar a crise na Páscoa

By | 20/01/2016
Salão da Páscoa Abicab (Foto: Marcela Bourroul)

As fabricantes de chocolate apostam no contato com os clientes para não perder vendas nesta Páscoa. Dados da Abicab (Associação Brasileira da Indústria de Cacau, Chocolate, Amendoim, Balas e Derivados) apontam que houve um aumento nas contratações de funcionários temporários para a época. Foram 29 mil vagas, contra 26 mil no ano passado. Essa alta é explicada pelo maior investimento nos pontos de venda para atrair o consumidor, com mais promotores para divulgar as marcas, segundo Ubiracy Fonseca, vice-presidente de chocolate da Abicab.

André Laporta, gerente de marketing da Nestlé, afirma que 85% da decisão de compra é feita nas lojas. Apesar de a marca investir nas mídias digitais e em influenciadores no período da Páscoa, o promotor "facilita a escolha", diz. Ana Napolitano, gerente de marketing da Kinder, afirma que a marca terá uma equipe maior nas lojas este ano. "A guerra vai acontecer no ponto de venda". Segundo ela, os consumidores brasileiros gostam muito do contato pessoal, de pegar o produto e fazer comparações, por isso a importância de investir nesse relacionamento.

Mesmo a Cacau Show, que tem lojas próprias, vem se aproximando dos consumidores desde o ano passado, montando uma equipe de revendedoras para vendas domiciliares. 

Anderson Freire, gerente de marketing da Arcor, dá importância aos funcionários das lojas por outro motivo: seu maior público, as crianças, precisa de ajuda para alcançar os ovos pendurados. 

Outra aposta das marcas são os produtos mais sofisticados. Há um capricho maior nas opções de chocolate e de embalagens. "Por um lado existe uma crise, mas por outro há a tendência de um aumento de 20% do consumo de chocolate premium", afirma Enrico Martini, gerente de marketing da Ferrero. A marca aposta que essa procura ajudará a impulsionar os resultados deste ano. Além disso, a marca vai oferecer nos pontos de venda embalagens extras para proteger os ovos e deixar as caixas de bombom com mais aparência de presente. Laporta, da Nestlé, diz que o portfólio mais sofisticado da marca está crescendo e continua sendo uma grande aposta. A Kopenhagen fez parcerias com outras marcas, como Le Lis Blanc e Pandora, para criar kits com chocolate e mais um acessório.

As empresas do setor sofreram em 2015 com a valorização do dólar, que afetou o custo de matérias-primas como o cacau. Parte do gasto extra será repassado ao consumidor, mas o reajuste deve ficar abaixo da inflação do período, entre 7% e 10%, segundo as fabricantes. "É uma vitória não aumentar acima da inflação [o IPCA encerou 2015 em 10,67%]. A do nosso mercado está em 20%", afirma Alexandre Costa, fundador da Cacau Show. 

Os produtos devem começar a chegar às prateleiras dos supermercados depois do Carnaval. Ninguém nega a existência da crise, mas os representantes das marcas insistem em dizer que o brasileiro não costuma passar uma data como a Páscoa sem comprar presentes. No ano passado, a produção nessa época ficou estável em relação a 2014. Este ano, elas tentam oferecer uma variedade para diferentes gostos e bolsos – e cruzam os dedos para que em 2016 o coelho seja mais generoso.

Ferrero trará sua pirâmide pela primeira vez ao Brasil e Garoto aposta em embalagem interativa para o ovo Talento (Foto: Divulgação)

 

Revista Época Negócios