Europa e FMI esperam novo acordo com Grécia

By | 21/06/2015

Bruxelas. As autoridades europeias pediram a Atenas que apresente novas propostas antes da reunião de cúpula de segunda-feira em Bruxelas e um ministro grego deu a entender que o governo pode modificar a oferta.

Atenas e os credores tentam retomar o diálogo neste fim de semana para aproximar posturas e evitar o fracasso da reunião de chefes de Estado e de Governo da zona do euro, ao mesmo tempo que aumenta o temor de que a Grécia se aproxima da suspensão de pagamentos.

O ministro de Estado grego, Alekos Flamburaris, mencionou várias opções para poupar centenas de milhões de euros adicionais: acelerar o fim das pré-aposentadorias, uma ideia que o governo parece que aceitou, e a redução do nível de impostos sobre os lucros das empresas.

"Vamos apresentar medidas que cobrem a diferença (entre as estimativas dos credores e as da Grécia a respeito das necessidades financeiras do país)", disse o ministro em uma entrevista ao canal Mega. "Mas vocês verão que não aceitarão a flexibilização orçamentária, nem nossa proposta sobre a dívida", completou.

Os dois pontos são as condições fixadas pelo governo grego para assinar um acordo com os credores – União Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional – e que estes últimos liberem a quantia de 7,2 bilhões de euros, a última parcela do segundo resgate financeiro ao país.

Ao telefone

Flamburaris não descartou uma conversa telefônica entre o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, e o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, nas próximas horas.

Tsipras retornou a Atenas neste sábado, após uma viagem a Rússia, que ele manteve na agenda apesar da turbulência a respeito de seu país e das advertências de Bruxelas e Washington.

Diante de uma situação "crítica", o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, fez um apelo na sexta-feira para que a Grécia alcance um acordo com os credores e evite um default (suspensão de pagamentos).

EUA pede urgência

O governo dos Estados Unidos também pediu um compromisso urgente sobre um programa de reformas confiáveis.

A reunião de segunda-feira será uma das últimas oportunidades para encontrar um acordo até 30 de junho, data em que a Grécia deve pagar 1,5 bilhão de euros ao FMI para evitar um default de consequências imprevisíveis, que poderia provocar a saída do país da zona do euro.

"Silêncio ensurdecedor"

A situação preocupa os correntistas, que nos últimos dias intensificaram os saques nos bancos gregos, obrigando o BCE a elevar o teto de financiamento de emergência para os bancos gregos pela segunda vez em uma semana.

O primeiro-ministro grego, que nunca escondeu a intenção de negociar o acordo diretamente entre chefes de Estado e de Governo, e não entre equipes técnicas, deverá convencer os sócios na reunião extraordinária, agendada para a próxima segunda-feira.

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