EUA vão liberar US$ 29 milhões para vítimas

By | 20/06/2015

Washington O Departamento de Justiça dos EUA vai agilizar o envio de US$ 29 milhões para a Carolina do Sul para ajudar famílias do assassinato em massa de nove fiéis de uma igreja frequentada por negros em Charleston, disse ontem o porta-voz do órgão, Kevin Lewis.

Uma parte não especificada desse dinheiro, alocada sob o programa nacional de assistência a vítimas de crimes do governo, pode ser usada para fornecer serviços às famílias das vítimas do tiroteio da igreja Emmanuel AME, disse o porta-voz.

A chacina pode ter força para "derrotar dois tabus" em um dos Estados mais conservadores do país. Para o deputado que preside a "bancada negra" na Assembleia Legislativa da Carolina do Sul, o reverendo Carl L. Anderson, 53, leis que aprovem controle da venda de armas e maiores penas a "crimes de ódio" podem ser aprovadas no Parlamento.

Anderson lidera a bancada de 39 deputados e senadores (do total de 170 parlamentares da casa), e era amigo do reverendo Clementa Pinckney, 43, assassinado durante a chacina, na última quarta (17).

"A comunidade negra deste Estado está muito mais articulada, educada e, preciso dizer, cansada do racismo", disse ele.

"Somos um Estado muito conservador, que ainda exalta a Confederação (os Estados do Sul do país que tentaram se separar dos EUA para manter a escravidão)", afirma Anderson, "mas tivemos vitórias recentes".

Ele relembra que há três semanas a Assembleia local, controlada pelo Partido Republicano, aprovou uma lei exigindo que os policiais estaduais usem câmeras acopladas ao uniforme. A lei votada de forma expressa foi apresentada depois que um jovem com celular gravou um policial matando um homem negro desarmado com oito tiros após uma perseguição. O crime aconteceu na vizinha North Charleston, terceira cidade do Estado. O vídeo "viralizou" e se tornou uma prova sobre abusos policiais contra a minoria negra.

"Se conseguimos apoio suprapartidiário para essa lei, temos que tentar mais alto agora", conta. Para ele, o controle de armas "ainda é tabu" no país.

"Mas acho que as pessoas estão muito sensíveis a um crime que matou pessoas que estudavam a Bíblia, que estavam absorvendo os ensinamentos de Deus", avaliou.

‘Guerra racial’

O jovem branco Dylann Roff admitiu, ontem, que provocou uma chacina na igreja Emmanuel AME porque desejava "iniciar uma guerra racial". A polícia de Charleston anunciou que Roof foi acusado formalmente pelo assassinato de nove pessoas e pela posse de arma de fogo.

Em audiência carregada de emoção, Roof ouviu as nove acusações por assassinato que pesam contra ele. O atirador se apresentou ao juiz por meio de videoconferência da cadeia em que está detido e assistiu impassível aos relatos dos familiares das vítimas do massacre.

O assassino foi preso durante uma operação rodoviária no estado vizinho da Carolina do Norte. Imagens da televisão mostraram o atirador entrando em um pequeno avião com as mãos algemadas e o uniforme de prisioneiro. Ele foi levado para uma prisão de Charleston.

A governadora da Carolina do Sul, Nikki Haley, afirmou que Roof deve ser condenado à morte se for considerado culpado. A pena capital é legalizada no estado. "Queremos incondicionalmente a pena capital. É o pior crime racista que vi e que o país viu em muito tempo", disse.

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