Estatinas ajudam diabéticos sem alterações de colesterol

By | 26/02/2015
Em pessoas com diabete, as partículas de LDL-colesterol são frequentemente mais densas e menores, provocando mudanças degenerativas nas paredes das artérias, conhecidas como aterogênicas. Desta forma, desempenham um papel mais relevante no processo de formação de placas de gordura. 
 
“Este tipo de partícula muitas vezes é subestimada em exames laboratoriais, que podem revelar valores normais ou, até mesmo, baixos do mau colesterol. Diante deste cenário, subestima-se a importância do tratamento com estatinas nesses pacientes”, explica o cardiologista Otávio Rizzi Coelho, professor doutor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas e coordenador da Comissão de Extensão Universitária e Assuntos Comunitários da Faculdade de Ciências Médicas/ Unicamp.
 
Se no passado discutia-se a possibilidade de que as próprias estatinas pudessem elevar o risco de desenvolvimento de diabete, estudos mais recentes mostraram uma redução expressiva de eventos cardiovasculares em pacientes portadores da aterosclerose tratados com esse tipo de medicação. 
 
“Para elucidar esta questão podemos fazer a seguinte conta: Em 498 pacientes tratados com estatinas durante um ano surge um novo caso de diabete. Já em 155 pessoas que recebem este tipo de medicamento pelo mesmo tempo é possível evitar um caso de enfarte ou morte”, afirma o cardiologista, ressaltando que o aumento pequeno no número de novos casos de diabete, em pessoas com predisposição, é amplamente compensado pela importante redução de eventos cardiovasculares.
 
Um estudo publicado em 2012 pela revista científica The Lancet reforça o perfil de segurança das estatinas em relação ao risco de desenvolver diabete. Após a análise de 18 mil pacientes, cientistas do Hospital Brigham and Women’s, nos Estados Unidos, verificaram que o aumento dos casos da doença em associação ao uso de estatina ocorreu apenas entre os pacientes que já apresentavam fatores de risco para seu desenvolvimento antes do início do tratamento.
 
“É importante esclarecer que a diabete não se distribui de forma homogênea na população. Pessoas com glicemia de jejum aumentada, triglicerídeos, obesidade e hipertensão arterial têm mais possibilidade de desenvolver a doença. Por isso, o aumento de um pequeno número de novos casos da doença não deve interferir na decisão de prescrever a estatina, que comprovadamente reduz consideravelmente eventos cardiovasculares em pacientes que fazem uso da terapia”, conclui.
 
No Brasil, estima-se que oito milhões de pessoas utilizem estatinas. Entre elas está a atorvastatina (Lípitor), que é a medicação desta categoria com o maior número de evidências científicas de sucesso no combate à dislipidemia. Entre seus efeitos está a redução no risco de eventos cardiovasculares, mediante uma diminuição de até 60% nos níveis do mau colesterol (LDL-colesterol).
 
 

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