Embrapa quer continuar ações em prol da inclusão produtiva

By | 15/02/2015

Em meio à previsão de mais um ano de estiagem, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) quer continuar executando os projetos de inclusão produtiva rural que buscam promover a melhoria da qualidade de vida das famílias em situação de extrema pobreza no Semiárido brasileiro. A instituição pública espera a aprovação de seu orçamento, destinando R$ 11 milhões para garantir a execução das ações.

"Os projetos, que começaram em 2012, têm duração de três anos e acabam em 2015. No entanto, já iniciamos um processo de diálogo entre os líderes dos projetos para que possamos dar continuidade às atividades após o término. Nosso desejo é prorrogar esse trabalho, que só começou", destaca a supervisora dos projetos da Embrapa de apoio ao Plano Brasil sem Miséria (PBSM), Kilvia Craveiro.

Ligada ao Departamento de Transferência de Tecnologia da Embrapa (DTT), Kilvia Craveiro explica que a participação da instituição teve início 2011, com a produção e a distribuição de sementes de qualidade adaptadas às condições dos territórios, além da entrega de material informativo para os técnicos da extensão rural e produtores que receberam as sementes.

Projetos produtivos

Em 2012, a partir de uma nova abordagem metodológica, foram construídos 12 projetos produtivos com área de atuação em 14 territórios priorizados pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), que também é parceiro no projeto.

Foi realizado um plano de trabalho participativo, por meio de diálogo com os agentes de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater), diversos atores sociais, além do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).

Desafio

Para Kilvia, o grande desafio para viabilizar a inclusão produtiva e melhorar a qualidade de vida dos produtores rurais foi estabelecer estratégias eficazes e diferenciadas em cada um dos territórios, das comunidades e das famílias.

"Conhecendo a realidade de cada local e fazendo a articulação com os diferentes atores sociais, podemos construir projetos que viabilizam o aumento da produção de alimentos e da renda, de forma segura e sustentável. Estamos tendo um ganho de aprendizagem muito grande com os agricultores", afirma.

A Embrapa, por meio de dez Unidades Descentralizadas, executa 17 projetos de apoio ao PBSM, sendo 12 voltados para atender 14 territórios (13 da Cidadania e um de Identidade), além de cinco projetos transversais ligados às seguintes temáticas: água; galinha caipira;mandioca; capacitação e divulgação de informação tecnológica; e monitoramento e avaliação.

Disseminação

De acordo com Kilvia, a instituição coordena ações voltadas à disseminação de tecnologias adequadas ao público-alvo do PBSM por meio das Unidades de Aprendizagem (UA), espaços de apropriação, compartilhamento e irradiação de saberes.

Nessas unidades, há um engajamento das comunidades na experimentação, adaptação e apropriação de conhecimentos e tecnologias que envolvem os processos de qualificação e formação de multiplicadores (agricultores, técnicos, agentes de desenvolvimento e pesquisadores). No ano passado, como resultado das ações deflagradas nos projetos, foram implantadas 332 UA distribuídas em 126 municípios do Nordeste e norte de Minas Gerais. Foram contempladas mais de 220 comunidades e 1.028 famílias com atividades de qualificação tecnológica em diversos temas.

Os intercâmbios de conhecimentos se deram por meio de 799 eventos, com a capacitação de 5 mil multiplicadores.

O QUE ELES PENSAM

Situação vem avançando, mas pode ir além

"Temos presenciado experiências exitosas na área de gestão dos recursos hídricos e da segurança alimentar de rebanhos no Nordeste. Continuar trabalhando para levar tecnologias de convivência com a seca ao campo é necessário, mas precisamos ir além. Temos que valorizar os agricultores, colocando seus produtos de maneira nos mercados".

Evandro Holanda
Chefe-geral da Embrapa Caprinos e Ovinos

"Além de disponibilizar água, temos que garantir a alimentação dos rebanhos, ampliando as reservas alimentares, pois a atividade agropastoril é importante para a renda familiar. Valorizar e aproveitar melhor os produtos da agrobiodiversidade, ajudando a aumentar o lucro dos produtores e aumentar a transferência de recursos financeiros públicos".

Pedro Gama
Chefe-geral da Embrapa Semiárido

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